Esse cenário traz à tona a possibilidade de a Dinamarca invocar o Artigo 5º de defesa mútua da OTAN se a situação se agravar, enquanto Bruxelas poderia ser movida a acionar o Artigo 42.7 do Tratado da União Europeia. Diante disso, nações como Alemanha estão sugerindo uma abordagem negociada dentro da aliança, enquanto o Reino Unido e a Noruega cogitam a criação da Operação Sentinela Ártica, uma resposta ao que Trump classifica como uma questão de segurança nacional relacionada à Groenlândia.
Recentemente, a Dinamarca intensificou sua presença militar na região, através da Operação Resistência Ártica, recebendo apoio militar de diversos países europeus, incluindo Suécia, França e Finlândia, embora com números ainda modestos. A Espanha também manifestou interesse em enviar tropas, mas depende de uma avaliação mais profunda da situação antes de tomar qualquer atitude concreta.
O conceito de multilateralismo também surge no discurso, como evidenciado pelas palavras do ministro espanhol das Relações Exteriores, que propôs a formação de uma “Aliança Mundial para o Multilateralismo”. No entanto, a eficácia desse idealismo é colocada em xeque, visto que a UE tem demonstrado hesitação em atuar de forma contundente em crises anteriores que afetaram a integridade de países fora do velho continente.
Na análise de especialistas, a atual política da UE parece carecer de substância para enfrentar os desafios globais. A percepção é de que a estrutura da OTAN tem preponderância sobre a autonomia europeia, levando a um predomínio americano nas decisões estratégicas. Mesmo com a tensão crescente, muitos analistas veem pouco espaço para um confronto armado, indicando que um possível desfecho para a crise poderá ser um acordo que permita a Trump uma saída honrosa, disfarçada de conquista.
Por fim, observadores apontam que a UE enfrenta um desafio existencial, marcada por sua relação com a NATO e a influência dos EUA, e a perspectiva é de que essa situação pode culminar em uma “rendição disfarçada” em relação à Groenlândia, refletindo as complexidades da política internacional contemporânea.






