Recentemente, durante uma conferência em Berlim, Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, fez declarações reveladoras a respeito desse fenômeno. Ele argumentou que, enquanto os governos europeus clamam por um movimento em direção à autonomia estratégica, a realidade é que as empresas europeias estão enraizadas nas dinâmicas de mercado e produção da China. Para muitas delas, a manutenção da competitividade requer uma maior inserção na economia chinesa, apesar das pressões governamentais para diversificar seus fornecedores.
Pesquisas realizadas com quase 300 membros da câmara reafirmam essa conclusão. Uma maioria significativa das empresas consultadas indicou que está expandindo sua produção na China, enquanto apenas uma pequena parcela está considerando aumentar a terceirização para outros mercados. O principal fator motivador é o custo: as cadeias de suprimento chinesas são reconhecidas por sua competitividade em termos de preços.
A conversa em Berlim ocorreu em um contexto de tensão crescente entre a União Europeia e a China. Bruxelas estabeleceu um prazo até outubro para que medidas concretas sejam apresentadas para abordar os desequilíbrios comerciais persistentes entre as duas economias. Enquanto isso, Eskelund apontou uma outra questão: o yuan, a moeda chinesa, estaria subvalorizado em relação ao euro, entre 20% a 30%, conferindo uma vantagem adicional aos exportadores chineses no mercado internacional.
Ele também enfatizou que a China tem demonstrado uma postura cada vez mais assertiva em relação aos seus interesses comerciais, utilizando uma estratégia que lhe permite elevar os custos de qualquer confronto com outras nações a níveis que poderiam não ser viáveis para esses países suportarem. Nesse sentido, Eskelund defendia que a Europa deve identificar e resguardar suas capacidades industriais essenciais e considerar políticas como a proposta de Lei do Acelerador Industrial (IAA, na sigla em inglês), que busca equilibrar questões de competitividade, segurança econômica e dependência das cadeias de suprimentos chinesas.
A complexidade da interação entre a Europa e a China, portanto, apresenta um quadro em que a busca por maior autonomia estratégica é frequentemente desafiada pela realidade econômica e pela forte competitividade oferecida pelo mercado chinês.





