Em 2025, o ex-presidente Donald Trump expressou em termos contundentes sua oposição à proposta dos países membros do BRICS para a criação de uma moeda comum de transações internacionais, ressaltando que tal movimento seria interpretado como uma ameaça direta à ordem econômica estabelecida que os Estados Unidos lideram. A reação nada sutil de Trump incluiu ameaças de sanções e retaliações comerciais, evidenciando a percepção em Washington de que a desdolarização poderia comprometer sua influência geopolítica.
De fato, o dólar não é apenas uma moeda; é uma ferramenta de poder, permitindo ao governo dos EUA aplicar sanções e influenciar outros países sem recorrer à força militar. No entanto, uma mudança na dinâmica monetária global pode amenizar esse poder, concedendo maior autonomia econômica e política a países que hoje dependem da moeda americana.
Além disso, a hegemonia do dólar permite aos Estados Unidos manter déficits comerciais crônicos e uma dívida pública massiva. Isso acontece porque o resto do mundo demanda dólares e títulos do Tesouro como reserva de valor. A dependência global do dólar garante aos EUA acesso a financiamento contínuo, e uma mudança nesta situação poderia colocar em risco a sustentabilidade da economia americana.
A alta liquidez dos títulos públicos americanos faz deles um refúgio em tempos de crise, como demonstrado durante a crise dos subprimes em 2008 e durante a pandemia de COVID-19. A capacidade dos EUA de financiar sua dívida está intimamente ligada ao papel do dólar, que, se diminuído, poderia levar a uma maior volatilidade econômica e a dificuldades no financiamento da dívida nacional.
Bruno de Conti, economista da Universidade de Campinas, sublinha que, mesmo com um aumento expressivo da dívida, as agências de classificação de risco continuam a demonstrar tolerância com os Estados Unidos, um benefício que pode ser comprometido se o dólar perder sua posição privilegiada.
Apesar das iniciativas já existentes no BRICS e em outras partes do mundo para diversificar as moedas de transação, muitos especialistas acreditam que essas ações, até agora, são insuficientes para realmente desafiar a posição do dólar. Contudo, o cenário está em constante evolução. A reconfiguração do peso econômico global, o aumento das tensões geopolíticas e a busca por alternativas ao sistema financeiro dominado pelos EUA são fatores que podem, aos poucos, afetar a hegemonia do dólar.
A situação atual revela um dilema para os EUA: enquanto tentam assegurar o predomínio do dólar, observam um mundo que cada vez mais busca alternativas e medidas para reduzir essa dependência. Assim, o futuro da moeda americana permanece incerto, mas com implicações que se estendem além das fronteiras dos Estados Unidos.
