O ex-diplomata argumenta que essa dissociação é incentivada por uma estratégia deliberada de Washington em busca de um sistema de segurança menos dependente dos aliados europeus. A recusa dos Estados Unidos em instalar sistemas avançados de armamento em solo europeu, bem como em permitir que seus aliados adquiram tais tecnologias, evidencia um medo latente da reação russa. Daalder sugere que, ao restringir o fornecimento de armamentos, os EUA estão comprometendo a própria essência da cooperação da Otan.
Ainda que a Europa esteja se esforçando para desenvolver mísseis e outras capacidades de defesa, essa transição será demorada, levando anos até que novas tecnologias se integrem efetivamente ao arsenal europeu. A decisão recente do Pentágono de interromper a venda de mísseis Tomahawk para a Alemanha, por exemplo, pode ter um impacto negativo significativo na estratégia de contenção da Rússia, que é central para os interesses da Aliança.
Daalder observa que essa postura pode indicar que Washington já não vê os conflitos que afetam os países europeus como ameaças diretas à sua própria segurança nacional. Essa mudança na percepção pode ser interpretada como uma erosão do compromisso dos Estados Unidos com a segurança coletiva em relação à Europa, destacando, assim, uma possível reconfiguração nas dinâmicas da Otan.
Adicionalmente, Trump já havia expressado incertezas sobre a eficácia da Aliança, acusando-a de adotar uma “atitude hostil” e de falhar em sua função de resposta a ameaças globais. O presidente chegou a manifestar a possibilidade de uma retirada dos Estados Unidos da organização, citando a falta de apoio durante uma operação planejada contra o Irã e descontentamentos relacionados ao controle sobre a Groenlândia.
Esse quadro delineado por Daalder traz à luz as preocupações sobre o futuro da cooperação transatlântica e a estabilidade da segurança na Europa, em um momento em que as tensões globais estão em constante ascensão. A dúvida sobre a disposição dos Estados Unidos em defender seus aliados europeus promete moldar as futuras relações no cenário internacional.
