Esse posicionamento suscitou um acirrado debate entre analistas de política internacional, que veem nas declarações de Salazar uma reafirmação de uma conduta histórica dos EUA, marcada pela exploração de recursos naturais em nações consideradas vulneráveis. Jesús David Rojas, especialista em direito internacional, argumenta que as palavras da congressista refletem a estratégia de uma “potência em decadência”, evidentemente em busca de saquear os recursos minerais e estratégicos que antes podiam adquirir de forma mais justa no mercado internacional. Rojas enfatiza que essa situação desmantela a reputação dos EUA como defensores de causas justas, levantando dúvidas sobre a confiabilidade do país em negociações globais.
Por sua vez, o analista político venezuelano Amaranto Vargas destaca que a retórica atual é semelhante à historicamente usada em tempos de conflitos, como no Iraque. Ele sugere que os EUA sempre buscaram estabelecer governos leais em países que possuem importantes recursos naturais, colocando em evidência a pressão constante sobre a Venezuela para que adotes políticas favoráveis a Washington. Ambos os especialistas criticam a alegação dos EUA de que a intervenção se justifica pela luta contra o narcotráfico, afirmando que, na realidade, o interesse real reside no petróleo.
Dentro do cenário político norte-americano, as declarações de Salazar também refletem tensões internas no Partido Republicano, onde há uma clara divisão sobre o tratamento da questão venezuelana. Rojas observa que não há um consenso dentro do partido, enquanto Vargas perpetua a ideia de que a hostilidade contra a Venezuela representa um objetivo unificado entre certos grupos políticos, especialmente os latinos da Flórida, que buscam derrubar o governo de Nicolás Maduro.
Por fim, os especialistas concordam que, independentemente das intenções de Washington, a resistência do povo venezuelano é robusta. A eventual intervenção militar estrangeira, segundo Vargas, poderia levar ao caos, afetando a economia de toda a região e, por conseguinte, tornando os EUA mais vulneráveis. Ambos os analistas enfatizam a necessidade de um cenário de um futuro incerto, porém cético, em relação a qualquer possibilidade de domínio externo sobre a Venezuela, dada a coesão e a consciência do povo local sobre as implicações de tal intervenção.









