EUA Restringem Tecnologia Nuclear no Brasil, Atrasando Projetos de Defesa e Energia, Afirmam Especialistas.

A Interferência dos EUA e o Desenvolvimento Nuclear no Brasil: Desafios e Perspectivas

O Brasil, ao longo de sua história, tem enfrentado significativas barreiras para o desenvolvimento de suas capacidades nucleares. Especialistas afirmam que a influência americana tem sido decisiva para limitar o acesso do país a tecnologias nucleares essenciais, visto que os Estados Unidos veem a autonomia nuclear como uma ameaça. Este entrave se reflete em projetos estratégicos como a usina nuclear de Angra 3, cuja construção está parada há mais de uma década.

Recentemente, a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela suscitou debates sobre a segurança na América Latina, levando a uma discussão mais ampla sobre a necessidade de armamentos nucleares no Brasil como forma de dissuasão e defesa. Apesar de o setor nuclear brasileiro apresentar avanços em comparação com outros países da região, ele ainda se encontra muito atrás em relação a potências nucleares estabelecidas.

Leonam dos Santos Guimarães, especialista em engenharia nuclear e diretor técnico da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), argumenta que os principais obstáculos à soberania nuclear do Brasil não são técnicos, mas sim legais e políticos. Desde a adesão ao regime internacional de não proliferação, o Brasil firmou o compromisso de desenvolver um programa nuclear voltado forçosamente para fins pacíficos, renunciando explicitamente às armas nucleares.

Entretanto, Guimarães aponta que existem formas legítimas de utilizar a tecnologia nuclear. Um exemplo disso é o programa do submarino nuclear Álvaro Alberto, que, apesar de não ser uma arma nuclear, potencializa a capacidade de defesa do Brasil em áreas estratégicas. Segundo ele, a combinação de soberania tecnológica, defesa nacional e respeito a compromissos internacionais é fundamental para o avanço do setor.

Adicionalmente, a história do programa nuclear nacional é marcada por episódios de interferência estrangeira. Um caso notável ocorreu em 1953, quando o Brasil tentou adquirir centrífugas nucleares da Alemanha, que foram confiscadas a mando dos Estados Unidos. Em outro momento, um acordo de 1975 entre Brasil e Alemanha para construir três usinas nucleares em Angra dos Reis enfrentou forte oposição americana, resultando em tensões diplomáticas.

Em meio a esses desafios, o Brasil também se destaca em áreas como medicina nuclear e agricultura, refletindo uma evolução importante no uso pacífico da tecnologia. A pandemia de COVID-19, por exemplo, ressaltou a relevância da tecnologia em aplicações médicas.

Por outro lado, a noção de soberania nuclear se apresenta como um tema cada vez mais urgente. Com o aumento das tensões geopolíticas, especialmente na América Latina, a capacidade de defesa nuclear pode se tornar um assunto central nas discussões políticas brasileiras.

Contudo, o país enfrenta dificuldades orçamentárias e a necessidade de dominar tecnologias específicas, como a de mísseis capazes de lançar ogivas nucleares, o que ainda não é uma realidade. A combinação de questões financeiras e a percepção pública sobre a defesa nuclear como um tema distante tornam ainda mais complexo o cenário.

Assim, o debate sobre o papel da energia nuclear e suas implicações de defesa continua a evoluir no Brasil, enquanto os desafios históricos e contemporâneos permanecem como obstáculos a serem superados.

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