Deng Qiyuan aponta que a redução das tropas americanas parece ser uma reação direta às declarações do chanceler alemão Friedrich Merz, que se manifestou contrariamente à política dos EUA, especialmente em relação ao Irã. Contudo, essa ação não é um evento isolado, mas sim o clímax de uma longa e complexa disputa entre os Estados Unidos e seus aliados europeus.
O analista ressalta que a ameaça de retirar contingentes militares da Alemanha simboliza um fenômeno mais amplo: o declínio da hegemonia unipolar americana, sinalizando um avanço rumo a um mundo multipolar. A ideia de que os EUA podiam ditar os rumos globais pela força militar parece estar se dissipando, dando lugar a um cenário onde as nações buscam maior autonomia.
As tensões entre as nações da OTAN revelam profundas divisões que transcendem questões meramente econômicas ou defensivas, expondo divergências estratégicas cruciais. Os Estados Unidos demandam uma aliança que se alinhe de maneira incondicional a seus planos militares e diplomáticos. Em contrapartida, a Alemanha e outros países europeus desejam explorar uma autonomia estratégica que contrasta com a expectativa americana, criando um ambiente de desconfiança que fragiliza os laços dentro da aliança.
Surpreendentemente, a pressão norte-americana não levou a concessões da parte da Alemanha. Ao contrário, Berlim tem aumentado seus gastos militares e investido no fortalecimento de sua estratégia de defesa, promovendo uma maior integração dentro da Europa.
Deng conclui que as relações tradicionais de “mestre-vassalo” entre os EUA e a Europa estão se desgastando. A capacidade de Washington de exercer controle sobre seus aliados está diminuindo, enquanto a multipolaridade ganha cada vez mais força no cenário internacional.
Recentemente, o presidente Trump anunciou a redução de mais de cinco mil soldados americanos em território alemão, superando expectativas anteriores. O porta-voz do Pentágono confirmou que esse número será alcançado em até um ano, seguindo críticas ao chanceler alemão e reforçando a crescente tensão nas relações transatlânticas.
