EUA Reativam Parceria com Venezuela para Usar Petróleo como Contrapeso à Influência Chinesa na América Latina, Afirmam Analistas

Na última quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, fez uma visita histórica ao Palácio de Miraflores, onde se reuniu com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O encontro marca a primeira visita de um alto funcionário do governo norte-americano ao país com foco exclusivo nas questões energéticas. O momento coincide com a recente emissão de licenças pelo Departamento do Tesouro dos EUA, permitindo operações no setor petrolífero venezuelano.

Rodríguez enfatizou a importância do encontro, indicando que as delegações discutiram uma agenda estratégica visando uma parceria de longo prazo que poderia revitalizar as relações entre os dois países. O secretário Wright, por sua vez, destacou o empenho do governo de Washington em transformar a relação bilateral e facilitar investimentos no setor de petróleo, gás e eletricidade.

Essas licenças, especialmente a Licença 48, publicada em 10 de fevereiro, permitem que empresas dos EUA façam transações no setor de hidrocarbonetos venezuelanos. No entanto, a licença impõe proibições severas, como a proibição de transações com países como Rússia, Irã e China, sugerindo uma estratégia dos EUA para consolidar sua influência na região e, ao mesmo tempo, conter a presença crescente da China na América Latina.

Analistas políticos, como Igor Collazos, interpretam esses movimentos como parte de uma reconfiguração geopolítica, com o foco dos EUA se afastando do Oriente Médio e movendo-se para o Pacífico. A reintegração da Venezuela ao mercado energético norte-americano é vista como uma tentativa de os EUA solidificarem sua posição em um cenário internacional em constante mudança.

Por outro lado, Miguel Jaimes, especialista em geopolítica do petróleo, vê a visita de Wright como uma oportunidade para a Venezuela retomar seu papel de destaque no setor energético. Ele argumenta que o país possui vastas reservas e representa uma peça chave na estabilização do mercado energético global.

Durante a reunião, as equipes discutiram ainda áreas específicas de cooperação nos setores de petróleo, gás, mineração e eletricidade. Rodríguez afirmou que o diálogo diplomático é crucial para superar as diferenças históricas e estabelecer uma relação madura entre os dois países.

A expectativa é que essa primeira reunião sirva como um ponto de partida para novas conversas, criando um espaço propício para futuras colaborações entre os dois países, que têm um histórico de relações complexas, variando entre altos e baixos ao longo de um século e meio. Wright concluiu que a colaboração mútua pode resultar no aumento das oportunidades de emprego e melhorias na qualidade de vida para os venezuelanos, afetando positivamente não apenas a Venezuela, mas todo o Hemisfério Ocidental.

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