Esta investigação começou em julho de 2025, um desdobramento da ordem emitida pelo então presidente Donald Trump. O processo foi conduzido de acordo com a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e resultou em um que relatório que lista ações específicas que, segundo os EUA, não apenas prejudicam a competitividade americana, mas também ferem normas internacionais de comércio. Jamieson Greer, representante do USTR, mencionou que, apesar de diálogos intensos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, persistem consideráveis divergências entre as partes e as discussões não evoluíram como esperado.
Um dos pontos centrais da insatisfação americana refere-se ao protecionismo brasileiro, que, segundo o relatório, teria favorecido produtos de outros países, como México e Índia, em detrimento de produtos norte-americanos. Além disso, as acusações de desmatamento e a falta de ação efetiva do Brasil neste quesito também foram citadas como fatores que justificariam a elevação das tarifas.
As consequências potenciais dessa proposta tarifária não se limitam ao aumento do custo de bens, mas também podem impactar a política regional, especialmente no que tange à designação de grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, um tema sensível na relação Brasil-EUA. O governo brasileiro já demonstrou preocupação com os efeitos que possíveis retaliações econômicas poderiam ter nas relações bilaterais.
Antes da implementação das tarifas, uma fase de consultas públicas será realizada, com audiências marcadas para o dia 6 de julho. O prazo final para a adoção de qualquer medida se encerra em 15 de julho, momento em que as autoridades norte-americanas pretendem definir a aplicação das tarifas propostas. A USTR destaca que isenções podem ser consideradas para uma série de produtos agrícolas e industriais nos quais o Brasil é competitivo, incluindo carnes, frutas e aeronaves, mas a incerteza sobre tarifas em outros setores permanece.
Esse cenário sublinha a tensão constante nas relações comerciais entre Brasil e EUA, com o governo brasileiro em busca de estratégias para contornar a situação e retomar o diálogo, ao mesmo tempo enfrentando críticas internas sobre suas práticas comerciais e ambientais.
