A decisão de Trump não passou despercebida e recebeu críticas de líderes internacionais, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Lula defendeu a importância da África do Sul como membro fundador do G20, lembrando que a exclusão do país poderia abrir precedentes perigosos, onde outros países poderiam ser marginalizados sem justificativa adequada.
Para o professor Bruno Mendelski, especialista em relações internacionais, a recusa dos EUA em aceitar a participação da África do Sul evidencia uma tensão estratégica e ideológica. Ele aponta que a nação africana é um membro vital do BRICS e tem um histórico significativo na luta contra o apartheid, o que a torna uma voz influente no Sul Global. Mendelski destaca que as acusações feitas por Trump carecem de fundamento e Buscam minar o ativismo da África do Sul, que denunciou ações de genocídio em fóruns internacionais.
O embaixador francês na África do Sul, David Martinon, também se manifestou, reiterando que a presença da África do Sul no G20 é um direito legítimo. A defesa da França pode ser vista como uma tentativa de estabelecer uma política externa mais autônoma da União Europeia em relação aos EUA. Contudo, essa postura não parece suficiente para conferir à Europa um papel mais forte nas dinâmicas do G20.
Laura Ludovico, especialista em direito internacional, ressalta a singularidade da África do Sul como único representante africano no G20. Para Ludovico, excluir o país de um fórum do qual foi presidente no recente passado é não apenas desconsiderar sua história, mas também reduzir a relevância do próprio grupo. Ela argumenta que essa tentativa de isolamento pode fazer com que a África do Sul se aproxime ainda mais da China e da Rússia, principalmente em um contexto global onde a África possui recursos valiosos.
Diante desse cenário, destaca-se a necessidade de união entre os países ao redor do mundo. A pressão sobre a África do Sul evidencia não só as tensões geopolíticas em jogo, mas também uma possível reconfiguração de alianças, com o país africano voltando seus interesses econômicos e políticos mais para o Oriente do que para o Ocidente.





