O conceito, cunhado pelo cientista político Joseph Nye, refere-se à capacidade de um país de projetar uma imagem positiva e acolhedora, promovendo influência através da cultura e da diplomacia, ao invés da força militar ou econômica. A expectativa era que o torneio, um dos maiores eventos esportivos do mundo, proporcionasse aos Estados Unidos uma chance de reconexão com o público global, mas o resultado foi oposto.
Durante o Mundial, os EUA foram criticados por permitir que pressões políticas afetassem decisões cruciais, como a arbitragem, e impuseram restrições severas a vistos que acabaram por frustrar a experiência de jogadores e torcedores de outras nacionalidades. Um episódio notório foi a intervenção do então presidente Donald Trump, que tentou reverter a punição de um jogador da seleção americana, uma ação considerada uma intromissão clara e condenada amplamente por ameaçar a integridade do evento.
Essas ações foram vistas como uma tentativa de transformar uma plataforma esportiva em um campo de batalha para demonstrações de poder político, alienando ainda mais o público global. Em vez de construir laços de amizade e camaradagem, a Copa do Mundo de 2026 se destacou pela incapacidade dos Estados Unidos em separar o esporte de questões políticas, evidenciando um aspecto negativo do “soft power”. Ao invés de gerar boa vontade, a competição serviu para expor as falhas diplomáticas do país, despertando indignação e desconforto internacional.
Assim, o legado do Mundial de 2026 poderá estar menos associado ao espírito esportivo e mais a uma lição sobre as consequências de uma política que não distingue entre a diplomacia e o entretenimento em sua forma mais pura. Uma verdadeira oportunidade de renovação foi perdida, deixando um rastro de insatisfação e desconforto que poderá demorar a ser reparado.
