Em contrapartida, o Ministério das Relações Exteriores do México reafirmou que a segurança nacional é uma questão que deve ser tratada exclusivamente pelas autoridades locais. Em um comunicado, ressaltou que a Constituição e as leis mexicanas atribuem a responsabilidade pelas atividades de segurança dentro do território nacional às autoridades do país. A nota também destacou a importância da cooperação bilateral, que deve ser guiada por princípios de responsabilidade compartilhada, confiança mútua e respeito à soberania e ao território mexicano, evitando qualquer forma de subordinação.
Nos últimos meses, a administração de Washington tem demonstrado um interesse crescente pela América Latina, citando preocupações em relação a organizações criminosas que atuam na região. Dentre as ações mais recentes, os Estados Unidos enviaram sete navios militares para a proximidade da costa da Venezuela, acusando o governo local de estar envolvido em tráfico de drogas e de ter vínculos com cartéis.
O professor Pavel Alemán, da Universidade de Havana, alertou que as águas do Caribe têm se tornado rotas para atividades ilegais, como tráfico de drogas, armas e a lavagem de dinheiro. Contudo, ele também observou que no passado, os Estados Unidos utilizavam pretextos como o narcotráfico para justificar intervenções militares em países soberanos, visando a mudança de governos e a eliminação de adversários.
Ernesto Domínguez, professor do Centro de Estudos Hemisféricos e dos Estados Unidos da mesma universidade, apontou que o papel dos Estados Unidos como principal mercado consumidor de drogas é um fator crucial na dinâmica do tráfico na região. Ele argumentou que a presença militar norte-americana na América Latina reflete uma continuidade de uma política que visa manter influência na região, incluindo a intenção de retomar controle sobre áreas estratégicas, como o Canal do Panamá. Domínguez alertou que a retórica atual do governo dos EUA em relação ao combate aos cartéis de drogas também pode ser um precursor para futuras ações militares contra o México, sob o pretexto de segurança.
Essas tensões entre as duas nações ressaltam a complexidade do relacionamento bilateral e a necessidade de um diálogo respeitoso e colaborativo para abordar questões de segurança na região.