As autoridades americanas estão empenhadas em investigar irregularidades no mercado de carne bovina, prometendo recompensas que podem alcançar até 30% do valor das multas que venham a ser aplicadas, que devem exceder US$ 1 milhão. As investigações estão centradas em grandes conglomerados, como a JBS e a National Beef, controlada pela Marfrig, juntamente com as americanas Cargill e Tyson Foods. Essas empresas são suspeitas de formação de cartel com o intuito de elevar os preços do gado, conforme as alegações feitas por Trump. O Departamento de Justiça dos EUA, como parte dessa iniciativa, já analisou um vasto acervo de três milhões de documentos e entrevistou centenas de pecuaristas e produtores na busca por indícios de crimes concorrenciais.
O tom político da situação se intensificou com comentários da secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, que descreveu a presença de grandes empresas estrangeiras no setor como uma ameaça à segurança econômica nacional. Rollins destacou questões de corrupção, formação de cartel e trabalho análogo à escravidão, fazendo referência a denúncias recentes no Brasil, que incluem ações do Ministério Público do Trabalho contra a JBS.
A pressão política foi ainda mais acentuada por declarações do conselheiro de Comércio de Trump, Peter Navarro, que alegou que o lobby da carne, dominado por empresas brasileiras, teria exercido influência sobre a Casa Branca, especialmente em um momento em que tarifas de 50% foram impostas sobre diversas exportações do Brasil, incluindo carne.
Neste contexto, o mercado de carne nos EUA enfrenta uma grave diminuição na oferta de gado, uma situação que não se via há 75 anos, provocada por uma prolongada seca e pela suspensão das importações mexicanas por problemas sanitários. A demanda interna, por outro lado, continua elevada, o que pressiona os preços e leva os frigoríficos a oferecer valores mais altos para o gado.
Por fim, as ações do governo têm gerado reações entre os produtores rurais. Alguns deles criticaram Trump pela sugestão de aumentar as importações de carne da Argentina como uma medida para conter a elevação dos preços. Trump, por sua vez, argumentou que o estado atual favorável dos pecuaristas resulta, em grande parte, das tarifas estabelecidas sobre o Brasil e outros países. Essa complexa teia de interesses e ações destaca a intensidade da competição e as disputas no setor de carne americano.
