Um dos focos dessa investigação é a carne bovina congelada exportada do Brasil para a China. As autoridades americanas sustentam que práticas de trabalho forçado utilizadas na criação de gado no Brasil conferem uma vantagem competitiva ao país, permitindo a venda de carne a preços inferiores. Em resposta a essa alegação, os EUA estão considerando a imposição de uma tarifa de 12,5% sobre os produtos chineses que entram no seu mercado como forma de retaliação.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) lidera essa investigação e, recentemente, divulgou um relatório com as conclusões obtidas até o momento. O documento inclui estudos de caso que demonstram como o trabalho forçado está sendo utilizado por concorrentes americanos, com ênfase nas dificuldades enfrentadas pelos produtores e empresas dos EUA.
Dados apresentados indicam que as exportações de carne bovina congelada do Brasil para a China aumentaram drasticamente nos últimos anos, passando de 94 mil toneladas em 2015 para 1,6 milhão de toneladas em 2025. Esse crescimento fez com que a participação da carne brasileira nas importações chinesas saltasse de 38% para 53% no mesmo período, enquanto a participação da carne americana caiu de 6% para apenas 2%. Além disso, o valor pago pela China pelo produto brasileiro é cerca de 41% inferior ao da carne importada dos EUA.
Apesar das graves alegações contra o Brasil, o USTR reconhece que nem todas as importações chinesas de carne bovina congelada provêm necessariamente de práticas de trabalho forçado. Outros fatores, como o tamanho do gado americano, também podem ter impactado a competitividade nas vendas. O relatório sugere que a falta de fiscalização nos procedimentos de importação permitiu que a carne bovina brasileira se beneficiasse de um custo mais reduzido, distorcendo assim a concorrência.
A investigação não se limita ao Brasil; cerca de 60 países estão sendo analisados sob a mesma perspectiva, todos acusados de se beneficiarem de importações que envolvem trabalho forçado. O USTR propõe a imposição de tarifas que variam de 10% a 12,5% sobre as exportações desses países, refletindo a falha dos governos em coibir práticas abusivas e proteger os trabalhadores.
Uma audiência sobre a implementação dessas novas tarifas está agendada para 7 de julho, onde serão debatidas essas questões críticas que envolvem direitos trabalhistas e comércio global. Além do Brasil, o relatório também aborda outros casos, como o cultivo de tabaco no Malawi e arroz em Myanmar, comparando-os com as exportações correspondentes dos EUA e destacando as falhas na fiscalização que prejudicaram o mercado americano.
