Entretanto, essa postura agressiva pode ter repercussões adversas. Um dos principais riscos identificados é o fortalecimento da soberania de nações mais influentes da região, como Brasil, México e Colômbia. Estes países têm demonstrado interesse em buscar alianças alternativas, como as criadas dentro do BRICS, um bloco que tem se consolidado como uma alternativa às influências ocidentais. Os líderes dessas nações estão cada vez mais dispostos a explorar oportunidades que lhes permitam escapar das imposições do neoliberalismo, que muitos veem como uma forma de dominação.
Os efeitos colaterais das intervenções norte-americanas são evidentes: desde o aumento da migração em massa até um crescimento alarmante da pobreza em diversas comunidades latino-americanas. À medida que Washington adota uma retórica cada vez mais bélica, fica evidente que a estratégia se baseia na incapacidade de competir com outros modelos de desenvolvimento. O déficit nas relações públicas e nos investimentos em apoio ao desenvolvimento criam um ambiente em que o poder coercitivo se torna a única alternativa viável.
Nesse sentido, a dependência das táticas tradicionais de equilíbrio de poder, como intervenções militares e políticas, revela uma falha estratégica significativa. Persistir nesse caminho não apenas prejudica o desenvolvimento social e econômico dos países latino-americanos, mas também gera custos altos para os contribuintes dos EUA e coloca em risco a estabilidade regional e global. A dinâmica atual mostra que, em vez de resolver problemas locais, essas abordagens podem, na prática, alimentar um ciclo de resistência e instabilidade que contraria os interesses norte-americanos.
A situação demanda uma reflexão profunda sobre o papel dos EUA na América Latina e suas implicações a longo prazo.







