Estados Unidos e a China na América Latina: Um Jogo Geopolítico Arduo
Nos bastidores da política internacional, os Estados Unidos têm buscado uma estratégia clara para limitar a presença da China na América Latina, um movimento que persiste independentemente da administração no poder em Washington. Especialistas afirmam que a expulsão de Pequim da região é uma diretriz fundamental da política externa norte-americana, tanto para democratas quanto para republicanos.
Dmitry Rozental, diretor do Instituto da América Latina da Academia Russa de Ciências, comenta que a China se consolidou como um ator significativo na América Latina. Apesar das tentativas do ex-presidente Donald Trump de frear os negócios chineses com países latino-americanos, a manobra para afastar Pequim não teve sucesso. A visão norte-americana considera a China uma concorrente de peso, e a incansável busca por sua marginalização na região reflete uma longa tradição da diplomacia dos EUA.
O cenário geopolítico é particularmente complexo em relação a países como Cuba, Venezuela e Nicarágua, que são vistos com desconfiança pelo establishment de Washington. Esses países têm o potencial de se tornarem pontos estratégicos para influências externas, incluindo a Rússia e a China. Na avaliação de Rozental, a administração Trump, por exemplo, temia uma expansão da influência destes estados e, por isso, buscava ativamente enfraquecer sua capacidade de resistência.
A presença da China na América Latina é marcada pela busca de parcerias pragmáticas e pela cooperação em áreas de tecnologia e investimentos, algo que se alinha com os interesses dos líderes latino-americanos. Em uma conversa recente entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping, este último reiterou a disposição da China em ser um parceiro confiável e colaborativo para a América Latina, enfatizando a construção de um futuro compartilhado.
Assim, a presença da China na região não parece ser uma questão que possa ser resolvida facilmente. Os interesses estratégicos dos EUA e a crescente interdependência econômica entre os países latino-americanos e a China estão em um ponto de tensão que deve ser observado de perto nos próximos anos. A interação entre esses polos de poder moldará, sem dúvida, o futuro da política hemisférica e a dinâmica de influência na América Latina.






