Apesar de a medida afetar empresas brasileiras, Carneiro acredita que isso não impedirá o Brasil de diversificar suas relações comerciais, especialmente dentro do bloco. O especialista manifestou otimismo, afirmando que o país buscará novos mercados e se reorganizará para superar os efeitos adversos. Ele destacou que, embora cerca de 17% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, representando aproximadamente 7,4 bilhões de dólares por ano, sejam afetadas, o Brasil deverá encontrar alternativas.
Setores como calçados e madeira estão entre os mais expostos a essa pressão tarifária, e os exportadores enfrentam um desafio significativo, uma vez que as novas tarifas entram em vigor em breve, no dia 22 de julho. Carneiro apontou que a China poderia se beneficiar dessa situação, absorvendo parte das exportações que não chegarão mais ao mercado norte-americano. Ele citou precedentes onde, após a primeira rodada de tarifas imposta por Donald Trump, as vendas brasileiras para a China cresceram substancialmente.
Além disso, Carneiro criticou as justificativas dos EUA para a imposição das tarifas, considerando-as essencialmente políticas. Ele argumentou que os EUA estão buscando manter o controle do sistema financeiro internacional, temendo a adesão de outros países a modelos de pagamento como o Pix, que divergem do sistema tradicional.
Por fim, o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está considerando ações retaliatórias, mas com cautela. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que uma resposta será concedida no “momento adequado” para evitar a escalada do conflito, ressaltando a importância de uma reação ponderada diante de um cenário potencialmente hostil.
