EUA impõem tarifas sobre produtos brasileiros, afetando economia e fortalecendo BRICS, segundo especialista; Brasil busca novos mercados e retaliação cautelosa

A recente decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros está prevista para ter impactos significativos, tanto na economia dos EUA quanto na brasileira. Segundo Adair Roberto Carneiro, presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior do Brasil (FCCE), é possível que essa medida traga mais prejuízos para os norte-americanos do que para o Brasil, ao mesmo tempo em que pode acelerar a aproximação entre os membros do BRICS.

Apesar de a medida afetar empresas brasileiras, Carneiro acredita que isso não impedirá o Brasil de diversificar suas relações comerciais, especialmente dentro do bloco. O especialista manifestou otimismo, afirmando que o país buscará novos mercados e se reorganizará para superar os efeitos adversos. Ele destacou que, embora cerca de 17% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, representando aproximadamente 7,4 bilhões de dólares por ano, sejam afetadas, o Brasil deverá encontrar alternativas.

Setores como calçados e madeira estão entre os mais expostos a essa pressão tarifária, e os exportadores enfrentam um desafio significativo, uma vez que as novas tarifas entram em vigor em breve, no dia 22 de julho. Carneiro apontou que a China poderia se beneficiar dessa situação, absorvendo parte das exportações que não chegarão mais ao mercado norte-americano. Ele citou precedentes onde, após a primeira rodada de tarifas imposta por Donald Trump, as vendas brasileiras para a China cresceram substancialmente.

Além disso, Carneiro criticou as justificativas dos EUA para a imposição das tarifas, considerando-as essencialmente políticas. Ele argumentou que os EUA estão buscando manter o controle do sistema financeiro internacional, temendo a adesão de outros países a modelos de pagamento como o Pix, que divergem do sistema tradicional.

Por fim, o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está considerando ações retaliatórias, mas com cautela. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que uma resposta será concedida no “momento adequado” para evitar a escalada do conflito, ressaltando a importância de uma reação ponderada diante de um cenário potencialmente hostil.

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