Um dos principais argumentos levantados pelas autoridades americanas diz respeito ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. O USTR argumenta que o Banco Central do Brasil favorece esse sistema em detrimento de empresas de pagamentos norte-americanos, como as operadoras de cartões de crédito. Segundo o relatório, o tratamento preferencial ao Pix é classificado como “injusto e discriminatório”, levantando preocupações sobre conflitos de interesse, uma vez que o Banco Central atua como regulador e operador do sistema.
A investigação também aponta que o Brasil tem oferecido tarifas mais baixas para grandes parceiros comerciais, como Índia e México, enquanto impõe tarifas mais altas sobre importações dos Estados Unidos. Isso gera desvantagens competitivas para as empresas americanas, que enfrentam alíquotas que variam de 14% a 35%, em comparação a tarifas significativamente mais baixas para importações provenientes desses outros países.
Além das questões tarifárias, o relatório expressa preocupações com a corrupção no Brasil, citando a falta de medidas efetivas para combater práticas como o suborno empresarial. Mudanças recentes na legislação e decisões judiciais em casos de corrupção, como os da Operação Lava Jato, também foram mencionadas como obstáculos para a transparência nas relações comerciais.
O governo dos EUA ainda criticou a proteção à propriedade intelectual no Brasil, apontando falhas na repressão da pirataria e na lentidão dos processos de concessão de patentes. As autoridades norte-americanas destacaram especificamente o impacto desta situação em setores como o de tecnologias e farmacêuticas.
Por último, a questão ambiental não ficou de fora. O USTR manifestou preocupações sobre o desmatamento ilegal na Amazônia, ressaltando que, apesar de haver um marco legal para combatê-lo, a aplicação efetiva das leis ainda é insuficiente. A combinação desses fatores delineia um cenário relevante para o comércio entre Brasil e Estados Unidos, que agora se vê potencialmente impactado por tensões econômicas e políticas.
