Em uma coletiva de imprensa, Elias Rosa explicou que a nova taxa afeta diversos setores da economia brasileira. Embora cerca de dois mil produtos exportados, incluindo carne e café, permaneçam isentos, outros segmentos, como calçados, máquinas e produtos químicos (exceto farmacêuticos), enfrentarão essa dupla taxação onerosa, com implicações graves para a competitividade do Brasil no mercado internacional. O governo brasileiro não hesitará em contestar essa decisão na Organização Mundial do Comércio (OMC).
O ministro classificou as tarifas como “extremamente injustas e muito danosas”, identificando o setor de madeira como particularmente vulnerável. Em resposta, a prioridade do governo será apoiar as indústrias afetadas e, ao mesmo tempo, preparar uma contestação jurídica robusta. Elias Rosa mencionou que um plano de diversificação de mercados também está em desenvolvimento, o que poderá mitigar o impacto das tarifas.
Além disso, o ministro não descartou a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, uma forma de resposta às medidas norte-americanas. Essa abordagem sublinha a intenção do Brasil de proteger sua economia e interesses nacionais. Para Elias Rosa, a acusação dos EUA de que o país estaria se beneficiando de trabalho forçado é infundada e inaceitável, uma vez que o Brasil possui compromissos firmes contra práticas de trabalho escravo e é signatário de convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho.
Com a administração Biden mantendo políticas de tarifas enquanto busca promover práticas comerciais justas, o Brasil se vê em um dilema que pode exigir mais do que uma simples retórica. A resposta eficaz a essa nova situação talvez defina não apenas a sobrevivência de certos setores, mas a própria dinâmica das relações bilaterais entre os dois países nos próximos anos.
