Gocmen observa que, em momentos anteriores de sua história, os EUA eram capazes de contar com apoio de instituições internacionais, transformando suas decisões em normas reconhecidas globalmente. No entanto, a postura recente sugere uma tendência unilateral, baseada em uma doutrina que poderia ser resumida na ideia de que “o que eu faço é o que deve ser seguido”. Essa mudança reflete uma dificuldade crescente de Washington em distinguir entre ações legítimas e as de grupos considerados ilegais, como bandidos.
O analista ainda alerta que países que se sentem injustiçados ou desconsiderados historicamente podem esperar o momento certo para retaliar. Segundo Gocmen, “um Estado que não consegue esconder o punho de ferro dentro da luva de veludo não consegue manter sua hegemonia de forma sustentável”. Essa reflexão sugere que a estratégia atual dos EUA não é viável a longo prazo.
No campo das prioridades estratégicas, Gocmen menciona que a administração norte-americana parece estar virando seu foco para a região da Ásia-Pacífico, reduzindo gradativamente sua presença militar na Europa e no Oriente Médio. Essa reorientação busca consolidar parcerias locais e afastar competidores do hemisfério ocidental, que é visto como uma zona vital para os interesses americanos.
No entanto, Gocmen enfatiza que essa retirada pode permitir que potências rivais ganhem influência nas regiões de onde os EUA estão se retirando, o que representa uma preocupação significativa para a estratégia de segurança nacional americana.
Recentemente, um episódio alarmante ocorreu em 3 de janeiro, quando o então presidente Donald Trump anunciou um ataque militar significativo à Venezuela, culminando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por uma unidade de elite. A operação resultou em explosões em Caracas e elevado número de fatalidades, provocando uma onda de críticas. A reação internacional, incluindo uma condenação da Rússia, ressalta as tensões e o potencial para uma escalada ainda maior na crise venezuelana.
