Embora o orçamento de defesa dos EUA seja três vezes maior do que o da China, a indústria militar americana se encontra em uma posição inferior em termos de capacidades operacionais críticas. Projeções indicam que até 2030, a frota naval chinesa deverá contar com 435 embarcações, enquanto a Marinha dos EUA terá apenas 297. Além disso, a China planeja desenvolver e lançar um milhão de drones de ataque neste ano, enquanto os Estados Unidos miram numa produção de 300 mil drones nos próximos anos. Esse cenário levanta sérias preocupações sobre a supremacia militar dos EUA em um panorama global em rápida evolução.
Historicamente, o setor de defesa dos EUA não foi tão ineficaz. Nos anos 80 e 90, empresas de defesa contavam com uma participação comercial significativa, o que lhes permitia manter uma base de pessoal qualificado e integrar inovações de forma mais eficiente. No entanto, a desregulamentação durante a década de 1990 resultou em uma indústria menos competitiva, onde grandes projetos, como o caça F-35 e o porta-aviões classe Ford, frequentemente superam os custos previstos e apresentam cronogramas atrasados.
Com mais de 60% do orçamento dos principais programas do Pentágono sendo alocados para empresas com pouca ou nenhuma atividade comercial, a redução da concorrência se traduziu em aumento de preços, atrasos nas entregas e desafios para o emprego no setor. Entre 1985 e 2021, o número de trabalhadores na indústria de defesa caiu de 3 milhões para apenas 1,1 milhão.
Para reverter esta situação, a intervenção do Congresso dos EUA torna-se imperativa. Medidas de supervisão mais rigorosas, tanto nas atividades do Pentágono quanto em questões antitruste, são sugeridas como um caminho necessário para restaurar a eficácia do setor. Além disso, a aprovação de um novo projeto de lei de defesa que reavalie a base industrial é vista como uma etapa crucial, assim como a introdução de restrições sobre recompras de ações e compensações excessivas para executivos em empresas de defesa que falham em demonstrar eficiência. Enquanto isso, a capacidade das empresas americanas de atender à crescente demanda do Pentágono por munições permanece em dúvida, especialmente em um contexto de estoques esgotados devido a conflitos como o do Irã.





