O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, tem se beneficiado dessa mudança de percepção. Ao se posicionar como defensor da soberania nacional, Lula encontrou na política externa uma oportunidade para fortalecer sua popularidade, especialmente diante de adversidades internas. O recente embate entre Brasil e Estados Unidos, centrado em um aumento significativo das tarifas sobre produtos brasileiros, se tornou um catalisador para a união em torno do chefe de Estado. Assim, o governo conseguiu moldar uma narrativa que ressoa com o sentimento nacionalista e de resistência a ingerências estrangeiras.
Especialistas indicam que o desencanto com os EUA é perceptível, e que a retórica bélica do atual governo estadunidense está gerando reações adversas, especialmente entre os jovens. As ações dos EUA na Venezuela, por exemplo, são vistas como um sinal de alerta que pode impactar seriamente a posição da direita brasileira nas próximas eleições. A movimentação de apoiadores de Jair Bolsonaro, que ergueram bandeiras americanas durante um desfile nacional, trouxe uma repercussão negativa que complicou a imagem da direita em um momento crítico.
Por outro lado, independente da questão internacional, temas como economia, saúde e educação permanecem como os pilares da avaliação do governo brasileiro. Embora a política externa de Lula tenha conquistado prestígio, o impacto em sua popularidade ainda dependerá de resultados concretos em áreas que afetam diretamente a vida da população. Assim, a capacidade do governo de captar apoio em um cenário polarizado dependerá de sua habilidade em equilibrar as dinâmicas internas e externas, evitando que uma narrativa excessivamente alinhada aos Estados Unidos possa alienar eleitores que valorizam a soberania nacional.
Enquanto se aproxima o período eleitoral, os partidos e candidatos da direita precisam considerar não apenas seus posicionamentos em relação aos EUA, mas também a percepção deles enquanto defensores dos interesses brasileiros. O desafio de unir a direita em torno de uma plataforma que ressoe com as necessidades do povo, sem perder a conexão com a soberania, será crucial. A forma como a oposição se comporta frente às ações dos EUA poderá, sem dúvida, determinar o resultado das eleições.







