Outra questão relevante é a relação com a China. Enquanto os EUA têm seguido uma linha de contenção em relação a Pequim, a Europa tem se mostrado mais pragmática, buscando caminhos para reduzir riscos sem romper totalmente laços comerciais. Essa polarização se reflete também em pontos de divergência no Oriente Médio, onde as visões de Washington e Bruxelas sobre Israel, Gaza e Irã revelam a distância cada vez maior entre os aliados transatlânticos.
Observa-se um enfraquecimento da coesão estratégica entre os países ocidentais, o que abre espaço para uma maior autonomia da Europa e permite que potências médias, como os membros do BRICS, ampliem sua influência no cenário global. A atual política externa dos Estados Unidos, sob Trump, acentua essa “condição de subalternidade” europeia, caracterizada por uma dependência histórica da Europa em relação ao apoio militar e econômico americano.
Os especialistas apontam que, ao tentar reafirmar sua posição no sistema internacional, os EUA acabam tensionando suas próprias alianças. Essa busca por reverter um suposto declínio de poder se traduz em políticas que podem ter repercussões opostas ao que foi planejado, criando um cenário de crescente desconfiança e afastamento entre os Estados Unidos e seus tradicionais aliados europeus. Assim, o crescimento do BRICS e a busca pela desdolarização surgem como ações significativas que indicam uma reconfiguração do poder global.
Portanto, enquanto os EUA optam por um caminho de controle e pressão, a China se posiciona como uma alternativa viável, defendendo princípios de multilateralismo e cooperação. Essa dinâmica não apenas desafia a hegemonia ocidental, mas também indica que o sistema internacional está passando por mudanças profundas, com repercussões que podem alterar fundamentalmente a ordem global estabelecida desde o pós-Segunda Guerra Mundial.





