Tarifas dos EUA contra o Brasil: Prazo se encerra sem acordo
O prazo para que os Estados Unidos decidissem sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre algumas importações brasileiras chegou ao fim nesta quarta-feira (15). Sem avanço nas negociações entre Brasil e Washington, a expectativa de um acordo de última hora se esvaiu. Nesta terça-feira (14), representantes dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil se reuniram com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Durante o encontro, o governo brasileiro reiterou que a imposição do tarifação seria considerada injusta e contraproducente para a construção de um acordo bilateral.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enfatizou que, enquanto nenhuma tarifa foi oficialmente imposta, o diálogo deve continuar. Ele mencionou que a resposta do Brasil, diante da possível aplicação de tarifas, será formulada apenas depois que a decisão for formalizada. O chanceler também destacou a existência de mecanismos para enfrentar uma nova política tarifária, se necessário.
Em paralelo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que, caso as tarifas sejam implementadas, o governo brasileiro pode recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica. Essa legislação, aprovada no ano passado em resposta a tarifas anteriores dos EUA, permite que o Brasil atue de forma proporcional às medidas adotadas por Washington. Durigan acredita que essa questão será discutida com o presidente Lula antes de qualquer ação.
As tensões entre os dois países também surgem a partir das exigências do governo americano em relação ao sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como Pix, além do etanol brasileiro. O governo brasileiro se nega a negociar mudanças no Pix e deseja manter o etanol fora das discussões. Em contrapartida, propôs a redução das tarifas sobre o açúcar brasileiro, proposta que foi prontamente rejeitada pelos EUA.
As audiências promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em Washington, nas últimas semanas, trouxeram à tona as preocupações de representantes de empresas e associações de ambos os países sobre os impactos negativos das tarifas. Enquanto isso, o presidente Lula expressou otimismo, afirmando que não acredita na adoção iminente das sobressalentes tarifas.
Contudo, o senador Flávio Bolsonaro insinuou que a tarifa deve ser aplicada, responsabilizando o governo Lula pela falta de progressos nas negociações. Segundo ele, esta postura ideológica do governo brasileiro poderia estar exacerbando a situação.
Com a data crítica se encerrando, o espaço para acordos e compromissos entre Brasil e EUA parece reduzido, com as partes agora se preparando para responder às decisões que virão.
