Analistas apontam que a Casa Branca está avaliando a utilização dos estaleiros asiáticos como uma forma de encurtar a distância em relação à furtiva frota chinesa, que atualmente conta com pelo menos 350 embarcações, consolidando-se como a maior do mundo. Enquanto isso, a Marinha dos EUA opera 291 navios, um número bem abaixo das 355 embarcações que a legislação demanda. O orçamento destinado ao setor naval americano prevê cerca de US$ 1,85 bilhão para um estudo que analise a possibilidade de terceirização para a construção de fragatas e destróieres. O foco do estudo inclui também a coprodução de cascos avançados, como os das classes Mogami e Daegu, em uma tentativa de aliviar a sobrecarga nas linhas de produção da Marinha.
A situação atual é complexa. A indústria naval nos EUA enfrenta sérios problemas, como atrasos de produção, restrições orçamentárias e falta de mão de obra qualificada, o que levou ao cancelamento do programa de fragatas da classe Constellation. Especialistas no setor de defesa alertam que, se não forem feitas alterações fundamentais nas aquisições de defesa, esses desafios podem se intensificar. A terceirização é vista como uma possível solução para permitir que aliados produzam embarcações de forma mais rápida e a custos reduzidos, permitindo que os EUA se concentrem em desenvolver tecnologias mais sofisticadas.
No entanto, a resistência no Congresso é palpável. Legisladores expressam preocupação sobre a perda de empregos e a competitividade da indústria naval americana, com leis como a Lei Jones e a Emenda Byrnes-Tollefson sendo citadas como obstáculos à revitalização desse setor. Esses instrumentos legais, pensados para proteger a economia nacional, agora parecem limitar a capacidade dos EUA de se adaptarem a um cenário naval em rápida evolução, em que a China cresce de forma exponencial.
Além disso, a dependência de construção naval externa suscita inquietações no que tange à segurança nacional, com especialistas ressaltando que essa dependência poderia precipitar um colapso ainda maior na já fragilizada indústria doméstica. Tentativas de contornar essas barreiras legais, a exemplo da compra do estaleiro Philly Shipyard pela empresa sul-coreana Hanwha Ocean, são vistas como estratégias para driblar restrições.
Em suma, o dilema enfrentado pelos Estados Unidos em relação à construção de sua frota naval é emblemático de uma discussão mais ampla sobre o papel do país no cenário global e as implicações de sua política de defesa diante do crescimento acentuado da marinha chinesa. A realidade é que, sem uma cooperação eficaz com aliados e sem a modernização de seus próprios estaleiros, os Estados Unidos correm o risco de permanecer em uma desvantagem naval permanente, um cenário alarmante para a segurança e os interesses estratégicos da nação.
