EUA Classificam PCC e Comando Vermelho como Terroristas: Vitória ou Ameaça à Soberania Brasileira?

Na recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, o Secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Cesar Carvalho dos Santos, expressou seu apoio nas redes sociais. Em uma postagem no Instagram, Santos utilizou a bandeira dos EUA como pano de fundo, acompanhada da mensagem: “Orgulho define. Parabéns, amigos.” Essa declaração sugere uma aliança entre as autoridades brasileiras e a política americana no combate ao crime organizado.

Santos tem demonstrado um engajamento notável nas relações internacionais, tendo participado de diálogos com a administração de Donald Trump sobre as referidas facções. Em 2025, Santos se reuniu em Roma com o general Michele Carbone, cabeça da Direção de Investigação Antimáfia da Itália. O foco principal dessas conversas foi a atuação do Comando Vermelho na Europa e como desmantelar essas organizações por meio da suspensão de seus lucros e a perda de bens.

Entretanto, especialistas alertam que essa mudança de classificação pode invocar repercussões significativas para a soberania nacional do Brasil. Vitor de Pieri, pesquisador e professor no Instituto de Geografia da Uerj, ressalta a importância de examinar essa decisão com cautela. Segundo ele, embora a medida possa fortalecer o combate financeiro ao PCC e ao CV, é preciso considerar que o terrorismo normalmente é associado a motivações políticas, ideológicas ou religiosas, ao passo que os grupos em questão estão mais preocupados com o lucro oriundo de atividades ilícitas.

Pieri argumenta que a elasticidade no conceito de terrorismo gera confusões que podem dificultar a guerra contra o crime organizado. Para ele, mesmo que o CV e o PCC recorram à violência, suas motivações são fundamentalmente econômicas. Esta nova classificação dos grupos pode, portanto, enriquecer uma complexa arquitetura de segurança e jurídica internacional que influenciará diretamente a capacidade do Brasil em manejar suas próprias políticas de segurança.

Além disso, a escolha dos EUA pode desencadear mecanismos mais intrusivos de monitoramento financeiro e iniciativas diplomáticas que possam pressionar países a reavaliar suas políticas em relação a ameaças percebidas. Essa situação não apenas traz à tona a necessidade de uma cooperação internacional mais robusta, mas também levanta questões sobre o espaço para a autonomia brasileira em assuntos internos, especialmente considerando as experiências históricas da América Latina em relação a interferências externas.

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