EUA classificam PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, destacando atuação em 12 estados sob governo Trump e intensificando medidas de segurança nacional.

Na última sexta-feira, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Amanda Roberson, anunciou que as facções criminosas brasileiras, Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), foram reconhecidas como organizações terroristas, atuando em 12 estados americanos. A decisão, que entra em vigor no dia 5 de junho, ocorre em um contexto de crescente preocupação com a segurança interna dos Estados Unidos e intensificou as tensões diplomáticas entre Brasil e EUA, especialmente após a visita do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, em Washington.

Roberson justificou a designação afirmando que as atividades das duas facções se estendem além das fronteiras do Brasil e têm impactos significativos em território americano. Ela enfatizou que esses grupos estão envolvidos em crimes como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e outros delitos graves. A inclusão delas na lista de organizações terroristas permite ao governo dos Estados Unidos ampliar sua capacidade de ação no combate a essas redes criminosas.

Com essa nova designação, os EUA ganham novos poderes para enfrentar os membros dessas organizações. Isso inclui a possibilidade de prender e processar aqueles que apoiam o PCC e o CV, além de proibir a entrada de seus integrantes no país e deportar associados. A medida também permite o congelamento de bens e contas dos membros dessas facções, a interdição de transferências financeiras e a proibição de negociações com cidadãos e empresas americanas.

Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, o governo americano já designou 17 facções e cartéis nas Américas como organizações terroristas, com o intuito de fortalecer as operações de inteligência e potencializar a cooperação policial entre nações. Roberson afirmou que estas novas classificações são parte de uma estratégia mais ampla para proteger a segurança nacional, abordando não apenas a atuação interna das facções, mas também sua influência e operações no exterior.

Essa decisão também levanta debates sobre a eficácia das políticas de segurança e as implicações que podem surgir nas relações entre Brasil e Estados Unidos, considerando os apelos feitos pelo governo brasileiro para que essa designação não fosse aplicada. A situação é delicada e pode afetar as dinâmicas políticas e sociais entre os dois países, enquanto as autoridades americanas buscam adotar medidas mais rigorosas para conter a criminalidade organizada.

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