EUA Aprovam Teplizumabe para Crianças a Partir de 1 Ano, Inaugurando Novas Esperanças no Tratamento do Diabetes Tipo 1 Infantil

Os Estados Unidos deram um passo significativo na luta contra o diabetes tipo 1 ao aprovar o uso do medicamento teplizumabe, comercialmente conhecido como Tzield, para crianças a partir de um ano de idade. Este é considerado o primeiro medicamento no mundo que tem como indicação a interrupção da progressão do diabetes tipo 1 em pacientes tão jovens. A informação foi divulgada pelo laboratório francês Sanofi, responsável pela comercialização do fármaco.

Até recentemente, o uso do Tzield estava restrito a crianças a partir de oito anos, uma limitação que agora foi revista. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou o medicamento em março deste ano, mas ainda mantendo a restrição à mesma faixa etária. Na Europa, a aprovação, que ocorreu em janeiro, também limita o uso a partir dos oito anos de idade.

A ampliação da indicação em território norte-americano destaca a crescente importância de intervir no sistema imunológico em estágios iniciais da doença, conforme explica Christopher Corsico, diretor global de desenvolvimento da Sanofi. Para ele, essa abordagem visa impactar a progressão natural do diabetes autoimune tipo 1 e atrasar a perda da produção de insulina pelo pâncreas.

A natureza do diabetes tipo 1 é distinta do diabetes tipo 2, que está mais associado a fatores de estilo de vida. No primeiro, o sistema imunológico do paciente ataca de maneira autoimune as células do pâncreas que produzem insulina, um hormônio crucial no controle dos níveis de glicose no sangue.

Embora o tratamento com teplizumabe não leve à cura, ele oferece uma oportunidade de desacelerar a progressão da doença, inibindo as respostas autoimunes. O medicamento é administrado quando a diabetes é detectada, mas ainda sem sintomas, na chamada fase 2. O objetivo é adiar o avanço para a fase clínica, onde injeções constantes de insulina tornam-se necessárias para o controle glicêmico.

A professora Kimber Simmons, do Centro Barbara Davis nos EUA, enfatiza a relevância dessa abordagem, uma vez que crianças nessa condição frequentemente apresentam um maior risco de progressão rápida e imprevisível do diabetes.

Desenvolvido inicialmente pela biotecnológica americana Provention Bio, o teplizumabe foi adquirido pela Sanofi em 2023. O valor da aquisição foi de US$ 2,9 bilhões, parte da estratégia da farmacêutica francesa de expandir sua presença no tratamento de doenças imunológicas e diabetes. O medicamento, um anticorpo monoclonal, atua especificamente sobre os linfócitos T, responsáveis por atacar as células produtoras de insulina. O tratamento consiste em um ciclo de infusão intravenosa diária durante 14 dias seguidos, representando uma nova esperança para a gestão do diabetes tipo 1 em crianças.

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