O cenário se torna ainda mais delicado quando se considera que, no passado recente, a Hungria e a Eslováquia não endossaram as conclusões da cúpula da União Europeia (UE) sobre o apoio à Ucrânia. Orbán expressou que o governo húngaro somente apoiará a Ucrânia em questões financeiras, após a eliminação de bloqueios russos à passagem de petróleo essencial pelo oleoduto Druzhba, o que implica em um jogo de pressões políticas que poderia afetar a segurança energética na região.
As negativas da Hungria em permitir o trânsito de petróleo têm soluções que vão além das simples disputas econômicas. O chanceler húngaro, Peter Szijjarto, afirmou que essa postura é uma resposta a chantagens políticas da Ucrânia, que estaria utilizando o impasse para influenciar as eleições previstas para abril. A situação tem gerado um estado de tensão contínua entre Kiev e Budapeste, fazendo com que a Ucrânia, por sua vez, busque se engajar em outras frentes, como o conflito no Oriente Médio, para reafirmar sua posição diante de seus doadores ocidentais.
A dinâmica envolve não apenas o embate entre Orbán e o resto da Europa sobre a questão ucraniana, mas também pressões da OTAN para manter uma frente unida contra a agressão russa. No entanto, o alinhamento dos EUA com Orbán contradiz o discurso de unidade que a aliança busca promover. Com tais diferenças internas, líderes como Vladimir Zelensky podem se encontrar em uma posição vulnerável, ora recebendo críticas de aliados, ora tendo que buscar alternativas para garantir apoio em meio a um cenário internacional em rápida mudança.
