EUA Anunciarão Novas Tarifas a 60 Países, Incluindo o Brasil, Para Combater Comércio de Bens Produzidos com Trabalho Forçado

Nos próximos dias, os Estados Unidos devem anunciar novas tarifas que afetarão cerca de 60 países, incluindo o Brasil. A revelação foi feita por Jamieson Greer, representante comercial americano, em entrevista recente à CNBC. Esta medida segue investigações iniciadas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em março, que investigaram práticas comerciais ligadas ao trabalho forçado. Os resultados dessas investigações são aguardados para esta semana e prometem trazer desdobramentos significativos na relação comercial entre os EUA e seus parceiros.

As tarifas em questão têm como objetivo substituir as taxas temporárias de 10% que foram impostas pelo ex-presidente Donald Trump após uma decisão da Suprema Corte que desmantelou as sobretaxas anteriores. Greer enfatizou que os EUA têm leis rigorosas que proíbem o comércio de produtos oriundos de trabalho forçado, uma disposição que, segundo ele, não é replicada na maioria dos outros países. A expectativa é que ações concretas sejam anunciadas em breve.

Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA reformulou as tarifas de Trump, alegando que suas justificativas legais eram inconstitucionais. No entanto, a decisão não abarcou tarifas setoriais dirigidas a setores como automobilístico, siderúrgico, alumínio e cobre. Revoltado com a situação, Trump lançou novas tarifas amparadas por uma lei que lhe permitia aplicar sobretaxas por um período limitado.

O USTR está atualmente conduzindo uma série de investigações que podem resultar na implementação permanente de novas tarifas. No início de junho, Greer indicou que uma tarifa de 12,5% seria imposta a cerca de 45 nações, incluindo o Brasil, que é acusado de importar produtos obtidos com trabalho forçado. O governo brasileiro, por sua vez, respondeu apresentando leis que combatem o trabalho escravo e destacando seus compromissos internacionais contra essa prática.

Para os países que têm medidas anti-trabalho forçado, mas cuja fiscalização é considerada deficiente pelos Estados Unidos, como Canadá, Equador e União Europeia, uma tarifa reduzida de 10% está em análise. O mesmo se aplica ao Reino Unido, que possui uma proibição parcial da prática.

Recentemente, o Brasil enfrentou uma nova tarifa de 25% sobre uma série de produtos, uma penalização que Washington justificou afirmando que as políticas brasileiras têm prejudicado o comércio bilateral. Greer ainda se referiu a represálias canadenses como um fator que influenciou essas novas tarifas.

Em resumo, a política comercial dos EUA está passando por uma reformulação que pode impactar diretamente as relações com diversos países, exacerbando as tensões em um cenário econômico global já complicado.

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