A estratégia reflete a nova abordagem da política externa dos EUA, que se afasta de compromissos tradicionais e adota um tom mais isolacionista. Ao mesmo tempo, ela reitera a disposição para o uso da força sempre que julgar necessário, especialmente no Hemisfério Ocidental. Um dos pontos mais polêmicos mencionados é a alusão à captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, como um exemplo de ação potencial por parte dos Estados Unidos.
No que diz respeito à Groenlândia, cuja soberania pertence à Dinamarca, a estratégia reafirma o interesse dos EUA em manter influência militar e comercial na região. A Groenlândia, especialmente, já havia sido um ponto de tensão entre Washington e seus parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Com o câmbio de foco para o Canal do Panamá, o documento enfatiza o desejo americano de garantir acesso a rotas marítimas cruciais.
A nova abordagem também implica um afastamento do apoio europeu, alegando que a defesa da Europa contra a Rússia deve ser responsabilidade primária dos próprios países europeus. Essa decisão enfraquece a posição da Ucrânia, que, embora receba apoio norte-americano em termos de armamento, deverá depender ainda mais da ajuda europeia no contencioso com a Rússia. Em relação à Coreia do Sul, a expectativa é que o país assuma a totalidade dos custos de sua defesa.
Curiosamente, o tom adotado na interação com a China é menos agressivo do que em versões anteriores da estratégia. Os EUA afirmam não ter a intenção de dominar ou humilhar Pequim, mas sim de garantir que nenhuma potência, incluindo a China, consiga estabelecer um domínio sobre os interesses americanos.
O documento reflete um pano de fundo de contradições, onde a retórica parece descolada da realidade geopolítica atual. Os EUA acreditam que aliados no Oriente Médio podem conter o Irã, mesmo enquanto as tropas americanas estão relacionadas a movimentos na região. A nova estratégia representa uma clara tentativa de afirmar a “Paz pela Força”, buscando preservar os interesses norte-americanos em um cenário global em constante transformação.






