EUA Aceleram Isolamento Global com Intervenção Militar na Venezuela, Afirma Especialista em Relações Internacionais

A recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, gerou uma onda de reações negativas em todo o mundo, colocando a diplomacia estadunidense em uma posição delicada e possivelmente insustentável. Especialistas internacionais já preveem que esse tipo de ação pode acelerar o isolamento global dos EUA, uma vez que a confiança internacional em sua liderança está em níveis alarmantemente baixos.

José Luis Romano, internacionalista formado pela UDELAR, observa que ações como essa minam a credibilidade dos tratados e acordos assinados pelos Estados Unidos, fazendo com que líderes de nações ao redor do mundo não vejam mais esses documentos como garantias, mas como meros “papéis molhados”. Essa desconfiança se intensificou diante de uma série de medidas unilaterais e ações que muitos consideram como transgressões ao direito internacional, como a operação que resultou no sequestro de Maduro, ocorrida em 3 de janeiro.

Reações de líderes latino-americanos têm sido contundentes. Presidentes de países como Brasil, Colômbia e México já se manifestaram, considerando as ações dos EUA como um “precedente extremamente perigoso” para a paz no continente. O presidente colombiano, Gustavo Petro, enfatizou os riscos de desestabilização não apenas para a Venezuela, mas para toda a região, o que levou a um chamado urgente para reuniões na OEA e na ONU a fim de discutir o que ele qualificou como “comportamento imperialista” de Washington.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também criticou a ação, traçando uma “linha vermelha” em relação à segurança regional e à soberania dos países. A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, apoiou essa posição, argumentando que a autodeterminação dos povos deve ser respeitada, e que os organismos multilaterais têm falhado em prevenir intervenções indesejadas.

Na Europa, a condenação não é menos veemente. O presidente espanhol Pedro Sánchez e a política francesa Marine Le Pen destacaram a violação do direito internacional, indicando um crescente ceticismo em relação à postura dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, potências como China e Rússia não demoraram a criticar a ação, considerando-a um “ato hegemônico”.

Diante desse cenário, a perspectiva de um “desacoplamento” econômico e político dos EUA por nações latino-americanas e outras ao redor do mundo já é discutida. Essa dinâmica é vista como uma resposta à confiança errática que os Estados Unidos têm gerado, levando lideranças globais a reconsiderar suas alianças tradicionais.

O somatório dessas reações sugere que o mundo está se reconfigurando em um contexto de desconfiança generalizada em relação à natureza das intervenções dos EUA, levando muitos a buscar alternativas que assegurem maior autonomia e segurança para suas nações. A sensação de que “ninguém está a salvo” se não se alinhar aos interesses da Casa Branca intensifica um movimento global em direção ao fortalecimento de blocos regionais que priorizam a autodeterminação e a soberania. Essa nova realidade pode moldar o panorama geopolítico nas próximas décadas.

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