A delegada Janaina da Silva Dziadowczyk, que está à frente da investigação no 63º Distrito Policial, relatou que, embora a denúncia tenha sido feita, a apuração do crime enfrentou desafios desde o início. A denunciante não tinha informações concretas sobre onde o ato aconteceu, complicando ainda mais o trabalho policial. A gravidade do conteúdo do vídeo, que apresenta os agressores zombando do desespero das crianças e agredindo uma delas, evidenciou a crueldade da situação.
Outro aspecto preocupante é a pressão que a comunidade local exercia sobre as famílias das vítimas, sugerindo que o caso fosse resolvido “entre eles”, sem a intervenção da polícia. Essa intimidação foi tão severa que as famílias decidiram deixar suas casas, levando apenas o essencial, temendo pela própria segurança. Apesar dessas adversidades, a polícia coletou todos os depoimentos necessários em apenas três dias.
No que diz respeito às prisões, até o momento, três adolescentes e um adulto foram identificados e detidos. Um menor permanece foragido, e as autoridades estão em negociação com a família dele, para incentivar sua apresentação às autoridades. A detenção do único adulto envolvido, que foi preso na Bahia, também foi um passo importante na investigação, pois ele foi responsável por filmar o ato e disseminá-lo via redes sociais.
A investigação agora se concentra em identificar aqueles que compartilharam os vídeos dos abusos, já que isso pode levar a mais indiciamentos. As autoridades reforçam que compartilhar essas imagens, mesmo com a intenção de denunciar a barbaridade do ato, representa uma violação da privacidade e dignidade das vítimas. Além disso, qualquer pessoa que tenha ameaçado ou intimidado as famílias das crianças também será alvo de investigação, demonstrando a seriedade com que a polícia está abordando todos os ângulos dessa tragédia.
