A especialista em Psicologia, Gabriela Inthurn, da UNIASSELVI, esclarece que a manifestação do autismo em mulheres geralmente é mais sutil e estável, dificultando o diagnóstico. Muitas mulheres desenvolvem uma estratégia conhecida como “masking”, na qual elas imitam comportamentos de pessoas neurotípicas para se integrar socialmente. Essa adaptação, embora necessária para evitar o estigma e o isolamento, pode alterar a percepção de sua identidade autêntica e impactar negativamente sua saúde mental.
Estudos indicam que o TEA é diagnosticado de três a quatro vezes mais em homens do que em mulheres. Essa disparidade é notável, mesmo com a utilização dos mesmos critérios diagnósticos para ambos os gêneros. Os sinais em meninas tendem a ser menos evidentes e se manifestam através de interesses que se encaixam em normas culturais mais aceitas, como literatura e artes, o que torna mais difícil a identificação.
A psicóloga ressalta que o esforço contínuo para se adequar socialmente, aliado ao atraso no diagnóstico, acarreta consequências severas, pois a intervenção precoce é vital para o desenvolvimento pessoal e profissional, influenciando a autoestima e os relacionamentos dessas mulheres. O modelo de diagnóstico tradicionalmente tem se baseado em traços masculinos, o que contribui para a dificuldade em perceber a manifestação do TEA em mulheres.
Para buscar ajuda, muitas mulheres começam um processo de autoidentificação, frequentemente motivadas por informações disponíveis nas redes sociais. No entanto, Gabriela enfatiza a importância de procurar uma avaliação clínica estruturada com um profissional qualificado, pois o diagnóstico adequado pode diferenciar o TEA de outras condições que apresentam sintomas semelhantes, como TDAH e distúrbios de ansiedade.
A jornada para um diagnóstico preciso é complexa, mas fundamental para que essas mulheres possam receber o suporte terapêutico necessário e viver de maneira plena e saudável.
