Os pesquisadores focaram na área de câncer, um campo que já apresenta um histórico significativo de publicações fraudulentas. A pesquisa foi realizada pela Faculdade de Saúde Pública e Serviço Social e pelo Centro Australiano de Saúde e Inovação da Austrália, em colaboração com uma equipe internacional de especialistas. Para identificar os artigos potencialmente falsificados, um modelo de inteligência artificial foi treinado com uma amostra de 4.404 publicações. Dentre elas, metade foi invalidada devido a fraudes, enquanto a outra metade provedores de informações legítimas.
Os resultados são alarmantes: o número de artigos indicados como fraudulentos cresceu de cerca de 1% no início dos anos 2000 para mais de 16% em 2022. Este aumento substancial sugere que o problema não só se disseminou, mas também abrange uma variedade considerável de periódicos, incluindo algumas publicações de alto impacto. As fraudes estão fortemente concentradas em áreas como biologia molecular do câncer e pesquisa laboratorial inicial, afetando tipos específicos de câncer, como os de estômago, fígado, osso e pulmão, que apresentam taxas particularmente elevadas de artigos suspeitos.
A questão das fraudes na pesquisa científica levanta preocupações significativas sobre a integridade da produção acadêmica e seus impactos na saúde pública. Profissionais da área devem ser cada vez mais vigilantes e críticos em relação às fontes de informação, visando garantir que os dados utilizados para o avanço da ciência sejam precisos e confiáveis. O aumento da utilização de tecnologias, como a inteligência artificial, pode ser uma arma poderosa na luta contra a disseminação de informações enganosas no meio científico.
