Estudo inédito revela que pessoas liberam até 59 gases diários, desafiando crenças sobre flatulência com tecnologia de roupa íntima inteligente

Um estudo recente, inovador na área de pesquisa sobre a produção de gases intestinais, revelou informações valiosas sobre os padrões de emissão de flatulência na população. Utilizando um dispositivo em miniatura inserido em uma roupa íntima “inteligente”, cientistas da Universidade de Maryland conseguiram, pela primeira vez, monitorar a quantidade de gases expelidos por diferentes pessoas ao longo de 24 horas. O resultado desse projeto, que foi publicado na revista especializada em biossensores, trouxe à luz dados que podem mudar a forma como entendemos a fisiologia intestinal humana.

Os dados obtidos mostraram que, em média, uma pessoa expeliu 32 gases por dia, uma quantidade significativamente maior do que a estimativa anterior de 14, que se baseava em relatos pessoais e, portanto, era suscetível a erros. O estudo analisou 19 voluntários ao longo de uma semana, revelando variações acentuadas nas emissões: enquanto alguns indivíduos liberavam gases apenas quatro vezes por dia, outros chegavam ao surpreendente número de 59 vezes.

Brantley Hall, um dos autores do estudo, destacou a importância desses dados, afirmando que a falta de uma referência sólida torna difícil identificar quando a produção de gases é excessiva. O monitoramento contínuo proporcionou uma visão detalhada da atividade das bactérias intestinais dos participantes em diferentes momentos do dia, contribuindo para uma compreensão mais profunda da microbiota intestinal.

Para avaliar a eficácia do dispositivo, foi realizado um teste com a fibra prebiótica inulina. Apenas três a quatro horas após o consumo, o aparelho detectou um aumento na atividade metabólica, correspondente a uma variedade de gases, com uma precisão de 97,4%. Essa capacidade tecnológica demonstra o potencial das roupas inteligentes no monitoramento da saúde digestiva.

A pesquisa não para por aí. Os cientistas estão agora desenvolvendo o que será conhecido como o “Atlas de Flatulência Humana”. Esse projeto ambicioso visa coletar dados de várias centenas de pessoas nos Estados Unidos, categorizando-as em três grupos: os chamados “digestores zen”, que consomem alta quantidade de fibras mas produzem poucos gases; os “hiperprodutores de hidrogênio”, que têm produção excessiva; e as “pessoas normais”, que variam em suas emissões.

O Atlas não só promete estabelecer parâmetros objetivos sobre a fermentação da microbiota intestinal, mas também poderá influenciar como intervenções alimentares, probióticas e prebióticas impactam a atividade do microbioma. Esse avanço na compreensão da flatulência humana abre novas fronteiras para a saúde intestinal e a nutrição.

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