Os dados obtidos mostraram que, em média, uma pessoa expeliu 32 gases por dia, uma quantidade significativamente maior do que a estimativa anterior de 14, que se baseava em relatos pessoais e, portanto, era suscetível a erros. O estudo analisou 19 voluntários ao longo de uma semana, revelando variações acentuadas nas emissões: enquanto alguns indivíduos liberavam gases apenas quatro vezes por dia, outros chegavam ao surpreendente número de 59 vezes.
Brantley Hall, um dos autores do estudo, destacou a importância desses dados, afirmando que a falta de uma referência sólida torna difícil identificar quando a produção de gases é excessiva. O monitoramento contínuo proporcionou uma visão detalhada da atividade das bactérias intestinais dos participantes em diferentes momentos do dia, contribuindo para uma compreensão mais profunda da microbiota intestinal.
Para avaliar a eficácia do dispositivo, foi realizado um teste com a fibra prebiótica inulina. Apenas três a quatro horas após o consumo, o aparelho detectou um aumento na atividade metabólica, correspondente a uma variedade de gases, com uma precisão de 97,4%. Essa capacidade tecnológica demonstra o potencial das roupas inteligentes no monitoramento da saúde digestiva.
A pesquisa não para por aí. Os cientistas estão agora desenvolvendo o que será conhecido como o “Atlas de Flatulência Humana”. Esse projeto ambicioso visa coletar dados de várias centenas de pessoas nos Estados Unidos, categorizando-as em três grupos: os chamados “digestores zen”, que consomem alta quantidade de fibras mas produzem poucos gases; os “hiperprodutores de hidrogênio”, que têm produção excessiva; e as “pessoas normais”, que variam em suas emissões.
O Atlas não só promete estabelecer parâmetros objetivos sobre a fermentação da microbiota intestinal, mas também poderá influenciar como intervenções alimentares, probióticas e prebióticas impactam a atividade do microbioma. Esse avanço na compreensão da flatulência humana abre novas fronteiras para a saúde intestinal e a nutrição.







