A investigação detalhou 15 locais nos Estados Unidos onde os pontos Clóvis foram descobertos ao lado de restos de proboscídeos, um grupo que inclui mamutes e gomfotheres. Os pesquisadores realizaram uma revisão abrangente, considerando evidências de várias disciplinas, entre elas arqueologia e comportamento animal. Essa análise ressaltou que a limpeza de carcaças, prática comum entre carnívoros e onívoros, incluindo grupos humanos, poderia ter fornecido oportunidades para o povo Clóvis obter carne sem necessariamente ter participado da caça.
Um dos grandes desafios dessa investigação é o fenômeno da equifinalidade, que se refere à possibilidade de que comportamentos diferentes deixem vestígios arqueológicos semelhantes. Isso significa que a presença de um ponto de Clóvis ao lado de um osso de mamute não é, por si só, uma prova conclusiva de que os humanos caçaram o animal. Os vestígios de caça e de limpeza podem se sobrepor de maneira que seja difícil distingui-los com precisão.
Os autores da pesquisa concluem que, embora o povo Clóvis provavelmente se engajasse tanto na caça quanto na exploração de carcaças, as evidências arqueológicas atuais não são suficientes para determinar claramente a natureza de seu envolvimento com a megafauna. Até que novas metodologias sejam desenvolvidas para isolar essas atividades, a afirmação de que os humanos tiveram um papel decisivo na extinção dos proboscídeos norte-americanos não pode ser sustentada com solidez. Essa nova abordagem, portanto, nos leva a repensar os antigos postulados sobre a relação entre o povo Clóvis e a extinção da megafauna, abrindo espaço para futuras investigações que possam iluminar esse mistério ancestral.
