A manifestação ocorreu em um contexto de tensão e insatisfação que perdura há quase um mês. Os estudantes estão em greve desde 14 de abril, exigindo melhorias nas políticas de permanência estudantil, a revogação da terceirização dos serviços nos restaurantes universitários e um diálogo constante sobre a gestão dos espaços estudantis. Os cortes de orçamento nas universidades também são um ponto central das reivindicações. O Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), principal ferramenta de assistência socioeconômica da USP, é particularmente criticado. A recente proposta de aumento da bolsa de R$ 885 para R$ 912, com um acréscimo de apenas R$ 27, é vista como insuficiente. Os alunos destacam que o valor deveria ser equiparado ao salário mínimo paulista, atualmente de R$ 1.804.
A tensão aumentou drasticamente na madrugada de domingo, 10 de maio, quando a Polícia Militar desocupou à força o saguão da reitoria da USP, ocupado pelos estudantes. A operação policial, que envolveu cerca de 50 agentes, deixou cinco alunos hospitalizados e quatro detidos, gerando protestos sobre o uso excessivo de força, incluindo bombas de efeito moral e gás lacrimogênio.
Os eventos subsequentes foram igualmente tumultuados. Na segunda-feira, 11 de maio, um confronto se instaurou durante um ato na Praça da República quando o vereador Rubinho Nunes agrediu fisicamente estudantes, resultando em sua própria internação hospitalar. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu a atuação da Polícia Militar, afirmando que a universidade não poderia ser um espaço de desordem.
Em resposta à crescente pressão, a reitoria da USP anunciou a criação de uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional, visando promover a interlocução com a representação estudantil. A nova abordagem ocorre após declarações anteriores do reitor sobre a finalização de negociações a respeito das bolsas.
Enquanto isso, novas mobilizações estão planejadas para 20 de maio, com o propósito de aumentar a pressão sobre as autoridades acadêmicas e políticas, em um cenário de reivindicações que também envolve greves de professores da rede municipal, clamando por reajustes salariais. O protesto atual é parte de uma luta mais ampla pela garantia de direitos dentro do sistema educacional brasileiro, refletindo a insatisfação generalizada com a situação das universidades no país.





