Estudantes de São Paulo retomam protestos após repressão policial na USP e exigem melhores condições de permanência e aumento nos benefícios estudantis.

Na noite de quarta-feira, 13 de maio de 2026, um significativo ato de protesto tomou forma nas ruas da Avenida Paulista, em São Paulo, mobilizando centenas de estudantes da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O evento, que culminou em uma marcha até a Praça Roosevelt, não se limitou apenas a universitários; professores da rede municipal, trabalhadores e representantes sindicais também se uniram na manifestação, evidenciando uma frente unificada em defesa da educação pública.

A manifestação ocorreu em um contexto de tensão e insatisfação que perdura há quase um mês. Os estudantes estão em greve desde 14 de abril, exigindo melhorias nas políticas de permanência estudantil, a revogação da terceirização dos serviços nos restaurantes universitários e um diálogo constante sobre a gestão dos espaços estudantis. Os cortes de orçamento nas universidades também são um ponto central das reivindicações. O Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), principal ferramenta de assistência socioeconômica da USP, é particularmente criticado. A recente proposta de aumento da bolsa de R$ 885 para R$ 912, com um acréscimo de apenas R$ 27, é vista como insuficiente. Os alunos destacam que o valor deveria ser equiparado ao salário mínimo paulista, atualmente de R$ 1.804.

A tensão aumentou drasticamente na madrugada de domingo, 10 de maio, quando a Polícia Militar desocupou à força o saguão da reitoria da USP, ocupado pelos estudantes. A operação policial, que envolveu cerca de 50 agentes, deixou cinco alunos hospitalizados e quatro detidos, gerando protestos sobre o uso excessivo de força, incluindo bombas de efeito moral e gás lacrimogênio.

Os eventos subsequentes foram igualmente tumultuados. Na segunda-feira, 11 de maio, um confronto se instaurou durante um ato na Praça da República quando o vereador Rubinho Nunes agrediu fisicamente estudantes, resultando em sua própria internação hospitalar. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu a atuação da Polícia Militar, afirmando que a universidade não poderia ser um espaço de desordem.

Em resposta à crescente pressão, a reitoria da USP anunciou a criação de uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional, visando promover a interlocução com a representação estudantil. A nova abordagem ocorre após declarações anteriores do reitor sobre a finalização de negociações a respeito das bolsas.

Enquanto isso, novas mobilizações estão planejadas para 20 de maio, com o propósito de aumentar a pressão sobre as autoridades acadêmicas e políticas, em um cenário de reivindicações que também envolve greves de professores da rede municipal, clamando por reajustes salariais. O protesto atual é parte de uma luta mais ampla pela garantia de direitos dentro do sistema educacional brasileiro, refletindo a insatisfação generalizada com a situação das universidades no país.

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