O projeto utiliza a metodologia do Teatro do Oprimido, criada pelo renomado dramaturgo Augusto Boal na década de 1970, para promover reflexões sobre temas complexos e urgentes, como o racismo estrutural e a discriminação. Durante o desenvolvimento dessa iniciativa, aproximadamente 20 alunos se dedicaram a oficinas e atividades criativas, fazendo parte de um processo que não só formulou as apresentações, mas também fomentou o diálogo sobre direitos humanos e igualdade racial.
Embora o grupo teatral seja pequeno, sua influência se estendeu a um público significativamente maior. As encenações e discussões realizadas pelos alunos atingiram mais de 400 pessoas nas cidades de Palmeira dos Índios e Estrela de Alagoas. Essa interação social não apenas ampliou a conscientização sobre as questões tratadas, mas também estimulou um necessário debate sobre a discriminação no contexto escolar e na comunidade em geral.
A estudante Sâmylla Macêdo, de 17 anos, expressou a emoção da equipe ao receber a notícia da seleção para a feira. Para ela, esse reconhecimento é um sinal da importância do esforço coletivo e uma oportunidade singular de apresentar seu trabalho a um público mais amplo. “O teatro é uma forma poderosa de expressão que pode dar voz a questões que precisam ser debatidas. Ele nos ajuda a entender a realidade do outro e a refletir sobre situações que muitas vezes passam despercebidas”, afirmou.
O grupo também teve a iniciativa de levar a peça “Terra de Alguém” ao povoado Jurema, na zona rural de Estrela de Alagoas. Essa atividade se concentrou em discutir o racismo ambiental, além de promover a preservação dos territórios tradicionais, reforçando o alcance social da proposta.
A experiência foi impactante não apenas para o público, mas também para os participantes. Sâmylla destaca que sua visão sobre comportamento social se aprofundou, levando-a a ser mais atenta e crítica em relação a ações discriminatórias no seu cotidiano.
O professor Anderson Gomes, que coordena o grupo teatral, afirmou que a seleção para a FeNaDANTE é uma prova da capacidade das escolas públicas de gerar conhecimento relevante e de incentivar o protagonismo juvenil em questões sociais. Para ele, esse reconhecimento é um marco importante para toda a comunidade escolar, evidenciando que os estudantes têm muito a contribuir em discussões sobre educação, cultura e direitos humanos.
A FeNaDANTE, em sua oitava edição, tem o propósito de divulgar projetos de pré-iniciação científica desenvolvidos por estudantes da Educação Básica, promovendo a pesquisa e o conhecimento em diversas áreas, e assim, conectando os jovens com o universo científico e tecnológico.





