
Uma aula diferente. Foi isso que tiveram os alunos do 5º período de Contabilidade da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal/Campus I), na finalização da disciplina Contabilidade Aplicada ao Setor Público.
A professora Nadja Peixoto escolheu uma atividade de campo para colocá-los diante de um caso de administração pública. A cidade escolhida foi Traipu, no Agreste alagoano, a 55 km de Arapiraca.
A recepção foi organizada pela equipe do prefeito Eduardo Tavares e contou até com a execução do Hino de Traipu e apresentação musical de crianças e adolescentes de uma escola de violão.
A primeira atividade na cidade foi a visita ao Museu Ambiental Casa do Velho Chico, instalado provisoriamente no Ginásio Ribeirão, onde os estudantes tiveram como guia o secretário de Meio Ambiente, Jackson Borges, idealizador do espaço e especialista no rio São Francisco.
Borges milita pela causa ambiental há mais de trinta anos. Os presentes ainda puderam apreciar uma declamação do poeta e artesão Alvaci Martins sobre o rio.
Além da pasta ambiental, todas as outras da gestão municipal estavam a postos para falar com os alunos, por meio de seus titulares e auxiliares, além do vice-prefeito, Sr. Cavalcante. Dessa forma, após a sabatina com o prefeito, outras questões puderam ser expostas pelos secretários, que também responderam a perguntas e apresentaram suas realizações.
Uma das informações que veio à tona, por exemplo, foi a realização de concurso público pela administração municipal até o final do ano, e que deve contar com vagas para contador, entre outras.
Contabilidade pública
A aula, em formato de talk show, aconteceu na AABB de Traipu. Depois de assistirem a um vídeo onde foram apresentadas ações em andamento no município, prefeito e professora se posicionaram diante da plateia, formada por alunos da Uneal, estudantes de Traipu, secretários e técnicos da Prefeitura e moradores do local, e iniciaram uma conversa franca e animada sobre a realidade orçamentária e financeira da gestão, que começou no final da manhã e seguiu tarde adentro.
“A visita pretendeu oferecer aos alunos o contato com a realidade da gestão pública, sob a ótica do planejamento e das finanças. Eles aprendem na disciplina desde a elaboração do Plano Plurianual até as demonstrações contábeis, mas quis mostrar a relação, in loco, entre o orçamento aprovado e o recurso disponível para execução”, explicou Nadja Peixoto, que também é mestra em Gestão Pública e gestora especializada em Ciência e Tecnologia/Contadora da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal).
Nadja explicou que a escolha do município se deu devido às informações a respeito de mudanças na organização contábil implementadas na atual administração e que impactam na gestão como um todo. Tais ações foram detalhadas pelo prefeito e pela secretária de Finanças, Carol Machado, que contaram como tem sido possível manter as contas em dia, mesmo dependendo quase exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). “Não tem segredo. É só usar o dinheiro onde tem que ser usado”, simplificou Tavares.
Os futuros contadores tomaram conhecimento, inclusive, de uma realidade inusitada vivida pelo município: há recurso financeiro em caixa para novos projetos, porém, sem orçamento para executar, uma vez que, durante o primeiro ano de mandato, trabalha-se com o documento elaborado pela administração anterior. Segundo o prefeito, isso é fruto de muito planejamento.
Os alunos puderam entender como o profissional contador, trabalhando numa administração pública, possui uma grande responsabilidade social. “Essa experiência foi única para nós, o que aprendemos nas aulas fez muito sentido. Fiquei surpresa com o que vi e ouvi, e gostei da liberdade de poder perguntar qualquer coisa”, disse Kelline Ferreira, que revelou ter vontade de trabalhar no setor público depois de formada.
Aula dinâmica
Restos a pagar, orçamento, contratos vigentes, Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Fundo de Participação dos Municípios (FPM), dívidas, investimento, planejamento e até a Lei de Acesso à Informação (LAI). Nada ficou de fora do debate, e dessa forma os universitários puderam aprofundar seus conhecimentos.
Assuntos espinhosos também foram tratados, como o débito do município com o INSS, deixado por gestões anteriores, e a falta de documentos e registros oficiais com que se deparou a atual administração, obrigando a iniciar do zero algumas práticas e controles.
Para o universitário Ramon Silva, o contador tem mesmo que ir a campo. “A dinâmica da aula foi muito boa e deveria ser empregada sempre”. Jerdson Santos, outro aluno, gostou tanto que sugere mais visitas, em outras cidades, inclusive com duração de mais de um dia. “Além das questões políticas que observamos e que podem interferir no trabalho do contador, o que mais me chamou a atenção foi o esforço para manter as contas em dia”, complementou.
O prefeito afirmou, ainda, que o município está trabalhando para regularizar os microempresários da região para que a Prefeitura compre deles e, assim, maior parcela de recursos fique no local. Outras formas de geração de receitas seriam a implantação do IPTU, do ISS, do código de postura e até de IPVA, que estão em estudo pela gestão, revelou Tavares. O turismo também deverá ser incentivado, pois Traipu, que tem apenas 28 mil habitantes, é uma cidade histórica e fica às margens do rio São Francisco.
“Foi excelente receber alunos de uma universidade pública, pois pode influenciar no reconhecimento pela própria população, que às vezes não entende que uma Prefeitura não deve ser paternalista. Nosso papel é ajudar a desenvolver o município”, concluiu. E essa lição foi aprendida pelos alunos do 5º ano de Contabilidade da Uneal.
Ascom – 31/07/2017





