Estratégia de Segurança do Governo Equatoriano é Questionada em Meio à Persistente Violência e Alto Custo Social da Insegurança.

Mais de dois anos após a declaração de um conflito armado interno no Equador, a estratégia de segurança adotada pelo presidente Daniel Noboa enfrenta um intenso escrutínio. Embora o envio de forças militares e policiais, além de repetidos estados de emergência, tenha gerado uma redução temporária na violência, os dados atuais revelam que o país ainda se encontra em níveis alarmantes de insegurança.

O marco de 9 de janeiro de 2024, quando a declaração foi feita, foi considerado uma resposta decisiva à crescente criminalidade organizada que assola o país. Contudo, especialistas em segurança, como Fernando Carrión, afirmam que as medidas tomadas foram mais reativas do que efetivamente transformadoras. Ele observa que, embora a intervenção militar tenha inicialmente contribuído para uma diminuição das taxas de homicídio, essa tendência não se sustentou ao longo do tempo. Assim que a previsão de ações rigorosas se desfaz, a violência volta a se intensificar.

Daniel Pontón, decano da Escola de Segurança e Defesa do Instituto de Estudos Nacionais Superiores, argumenta que a crise de segurança tem sido utilizada pelo governo como uma forma de consolidar poder em um cenário legislativo frágil. Ele observa que medidas severas, embora populares entre a população temerosa, foram implementadas sob a justificativa da urgência da situação, levando a questionamentos sobre sua real eficácia a longo prazo.

Dados fornecidos pelo Ministério da Defesa e pela Polícia Nacional indicam que, apesar da realização de milhares de operações conjuntas e da apreensão de grandes quantidades de drogas, a taxa de homicídios permanece preocupante. Nos primeiros meses de 2026, o país já registrou 2.778 assassinatos, o que sugere que o Equador pode estar caminhando para um de seus anos mais violentos até a data.

Os especialistas Carrión e Pontón consideram que a abordagem aplicada pelo governo apresenta limitações significativas. Pontón destaca que, ao contrário do modelo impulsionado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, a realidade equatoriana lida com cartéis de drogas que operam com vastos recursos financeiros e não apenas com gangues de rua. Essa diferença torna o combate à criminalidade muito mais complexo.

Ademais, a estratégia atual levanta preocupações sobre seus custos sociais e econômicos. Recursos que poderiam ser destinados à saúde e educação estão sendo realocados para a segurança, gerando um impacto negativo em áreas vitais para o bem-estar da população. A pressão econômica se reflete nos orçamentos de empresas e famílias, que precisam investir em segurança privada e tecnologia.

A situação se complica ainda mais com o aumento do IVA, que passou de 12% para 15% para financiar medidas de segurança. Carrión critica essa abordagem, afirmando que a falta de informações suficientes dificulta a formulação de políticas eficazes. Ele enfatiza que a solução para os problemas de segurança do Equador não pode se limitar a uma cooperação restrita, mas deve incluir uma diplomacia ativa com países vizinhos, especialmente na luta contra o narcotráfico. O desafio é multifacetado e demanda uma abordagem integrada, reconhecendo que o problema transcende as fronteiras equatorianas.

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