As empresas firmaram contratos no valor de R$ 18,2 milhões com o Exército, apesar de aparentemente independentes. No entanto, essas empresas compartilham controladores, endereços e participaram de 157 licitações da corporação, algumas vezes competindo entre si. Essas empresas são controladas por um empresário e um contador que são alvos de diversas investigações da Polícia Federal (PF) por fraude em licitações em outros órgãos públicos.
O contador responsável pela abertura dessas empresas, Luiz Romildo Mello, está sob investigação por suspeitas de superfaturamento e uso de empresas associadas para fraudar licitações em órgãos públicos, incluindo a recente Operação Mobília de Ouro.
Os contratos firmados com o Exército abrangem o fornecimento de barracas, capacetes, cantis, coldres e outros equipamentos militares. Um ex-sócio já confessou à Justiça, sendo condenado, por admitir o uso de laranjas junto ao contador dessas empresas. As empresas ligadas ao contador endossam a capacidade técnica umas das outras em pregões do Exército.
Na Operação Mobília de Ouro, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), o mesmo contador foi investigado por um esquema semelhante de fraudes em licitações para fornecimento de mobília para escolas.
Em dezembro, o Exército afirmou que “os critérios de seleção de empresas para fornecimento de material” para a corporação “seguem o disposto na Lei de Licitações e Contratos” e que “os certames têm como fundamentos os princípios da administração pública, com especial atenção aos da legalidade e da impessoalidade.” Sobre os contratos, o Exército afirmou, naquele mês, que “está apurando os dados precisos para serem repassados” à reportagem, mas, depois, não se pronunciou sobre as licitações suspeitas e nem se o material contratado com essas empresas estava sendo entregue em dia.







