ESPORTE – “Olimpíadas de Inverno em Milão-Cortina: 85% da neve será artificial, refletindo os impactos do aquecimento global e suas consequências nos esportes e ecossistemas.”

As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina, que começaram nesta sexta-feira, 6 de outubro, revelam de forma contundente os drásticos efeitos das mudanças climáticas no mundo esportivo. Dados recentes destacam que cerca de 85% da neve utilizada nas competições de 2026 será artificial, um fenômeno que vem se intensificando desde os Jogos de Sochi em 2014. Para garantir que as provas ocorram em condições adequadas, os organizadores planejam produzir uma impressionante quantidade de 2,4 milhões de metros cúbicos de neve sintética, consumindo nada menos que 946 milhões de litros de água — um volume que se equipara a um terço do Stadium do Maracanã, no Rio de Janeiro, sendo transformado em um reservatório.

A instalação de mais de 125 canhões de neve em locais estratégicos como Bormio e Livigno demonstra a dependência crescente da tecnologia para criar condições adequadas para as competições, acompanhada do suporte de grandes reservatórios de água em altitudes elevadas. Historicamente, a necessidade de neve artificial tem aumentado gradativamente: em Sochi, cerca de 80% da neve foi produzida por máquinas; em PyeongChang, esse número subiu para 98%; e nas Olimpíadas de Pequim, 100% da neve utilizada foi artificial.

A realidade climática também apresenta desafios preocupantes, com a quantidade de locais confiáveis para sediar os Jogos reportando uma queda drástica. Entre 1981 e 2010, existiam 87 cidades em todo o mundo que eram consideradas adequadas climaticamente. No entanto, projeções apontam que, até 2050, esse número pode cair para apenas 52, e até 2080, para 46, mesmo em cenários otimistas de redução de emissões de gases de efeito estufa.

As consequências dessas mudanças para além do esporte são significativas. A neve não apenas serve como uma camada de competição, mas é um reservatório natural de água que libera recurso hídrico ao longo do ano. A diminuição da neve tem impactos abrangentes, incluindo menor vazão de rios, pressão sobre reservatórios de água, redução no turismo de montanha e perturbações em ecossistemas adaptados ao frio, afetando diretamente a economia local e modos de vida.

Fundados em 1924, os Jogos Olímpicos de Inverno começaram nos Alpes franceses sob a premissa de uma abundância natural de neve. Hoje, refletir sobre a dependência de máquinas e grandes quantidades de água para a realização do evento é um sinal claro de como as mudanças climáticas estão reformulando tradições estabelecidas há um século. Essa nova realidade não representa apenas um desafio para o esporte, mas também uma chamada à ação sobre as consequências das alterações climáticas que se manifestam em diversas esferas da vida.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo