Fernando Melchert, diretor de Tecnologia da Bepass, empresa responsável pela implementação da tecnologia em diversas arenas, explicou que a inovação visa não só a personalização dos ingressos, eliminando a possibilidade de transferência ou fraude, mas também aumentando a segurança dos eventos. A Lei Geral do Esporte, aprovada em junho de 2023, estabelece um prazo de dois anos para que todos os estádios atendam a essa exigência.
O Allianz Parque, em São Paulo, destacou-se como o primeiro estádio do mundo a adotar essa tecnologia em todos os seus acessos, o que resultou em um aumento significativo na agilidade para a entrada de torcedores. Além disso, o Palmeiras notou um crescimento de 30% no número de sócios-torcedores desde a implementação da biometria. Torcedores relatam sua satisfação com o novo sistema, apontando a conveniência e a eficácia do processo.
Um aspecto positivo desse avanço é o aumento no público feminino e infantil nas arenas, com aumento percentual substancial em relação aos anos anteriores. O número médio de espectadores nas partidas do Campeonato Brasileiro também experimentou um crescimento, refletindo a eficácia do sistema.
Mesmo clubes com capacidade abaixo do limite legal, como o Santos, já adotaram a tecnologia. A Vila Belmiro, com cerca de 15 mil lugares, instituiu o reconhecimento facial em 2024, o que o clube estima reduzir custos significativamente. Essa estratégia também visa aumentar a segurança, permitindo que questões relacionadas a ingressos falsificados sejam minimizadas.
Além disso, a integração da biometria facial com sistemas de segurança públicos permite que as autoridades verifiquem pendências jurídicas dos torcedores, possibilitando uma abordagem mais rigorosa em eventos esportivos. Em um caso recente, três indivíduos foram detidos ao tentarem acessar um jogo, devido a mandados de prisão em vigor.
Entretanto, a biometria facial não é isenta de controvérsias. Organizações e especialistas alertam sobre os riscos associados à privacidade dos torcedores, principalmente no que diz respeito ao tratamento de dados sensíveis e ao potencial de discriminação algorítmica. Questões sobre a transparência na utilização de dados e a possibilidade de erros de identificação levantam preocupações sobre a aplicação dessa tecnologia, especialmente entre grupos vulneráveis.
Melchert, ao ser questionado sobre as preocupações levantadas, explicou que o sistema foi projetado para ser seguro, embora reconheça que sempre existam desafios relacionados a tecnologias emergentes. Ele acredita que a biometria facial se tornará cada vez mais comum não só em eventos esportivos, mas também em shows e outros tipos de grandes aglomerações.
Por fim, enquanto a discussão sobre os benefícios e riscos da biometria facial continua, a nova era de acesso aos estádios já se consolidou, redefinindo a interface entre torcedores e suas experiências esportivas.





