Um dos principais pontos levantados por Meihy é a fragilidade da popularidade dos líderes dos EUA e Israel em suas respectivas nações, o que pode impactar diretamente na implementação do acordo. O presidente dos EUA, Donald Trump, enfrentava uma queda significativa em sua aprovação devido à inflação crescente, agravada pelo aumento nos preços dos combustíveis, enquanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu também atravessava dificuldades, especialmente após os recentes conflitos em Gaza.
Os 14 pontos do acordo, conforme analisa Meihy, parecem ter sido elaborados para satisfazer a opinião pública americana e israelense, mas não apresentam soluções viáveis em um contexto marcado por décadas de hostilidades e acordos mal-sucedidos. Um item que proíbe ações judiciais entre os Estados por violação do direito internacional levanta preocupações sobre a possibilidade de novas agressões, uma vez que não há garantias de que Israel não repetirá os erros do passado.
Por outro lado, o economista libanês Najad Khouri destaca a complexidade da situação, especialmente em relação ao desarmamento do Hezbollah, que já manifestou a negativa a essa proposta. Para Khouri, a falta de confiança mútua entre os dois países torna qualquer acordo instável e temporário. Ele alerta que, sem um fortalecimento do Estado libanês para enfrentar tanto o Hezbollah quanto Israel, o Líbano continuará preso entre essas potências em conflito.
Ainda, Meihy afirma que a proposta de acordo não visa a paz, mas sim interesses territoriais e recursos, como a escassez de água potável na região, que é um tema central nas negociações. Ele lembra que parte do território libanês já foi ocupada por Israel, o que discutivelmente compromete a soberania do país. Para Meihy, o acordo é assimétrico e prejudica ainda mais o Líbano, que já enfrenta sérios problemas internos, incluindo falta de serviços básicos e infraestrutura deteriorada.
O Hezbollah, criado nos anos 1980 e que atualmente goza de uma grande influência no Líbano, também é um fator crucial neste debate. Historicamente, o grupo surgiu para preencher lacunas deixadas pelo frágil Estado libanês após a guerra civil, tendo se tornado um ator político e militar relevante. Essa dinâmica complicou a relação do Hezbollah com o governo, levando a uma divisão na sociedade libanesa, onde o grupo oferece serviços que o Estado não consegue prover, evidenciando a concorrência entre as duas entidades.
Com todos esses elementos em jogo, o futuro do acordo e suas consequências para a região permanecem incertos e suscetíveis a tensões que podem ressurgir em breve.





