De acordo com Hilse, não se trata apenas de acesso desigual à tecnologia, mas de como as potências digitais configuram regras, regulam o fluxo de dados e têm poder sobre as economias locais. Países, mesmo aqueles com forte presença de smartphones, podem se sentir “colonizados” se dependem de sistemas operacionais, servidores e serviços de nuvem controlados por corporações situadas nos Estados Unidos. Ele levanta a questão sobre o que realmente significa a soberania nacional em um cenário onde a infraestrutura crítica está alicerçada em serviços estrangeiros.
Hilse descreve um ciclo vicioso em que as soluções inicialmente apresentadas como gratuitas tornam-se indispensáveis e, eventualmente, impossíveis de se livrar. A dependência é criada por meio de serviços como Google Workspace ou plataformas de nuvem, que sob a aparência de generosidade, capturam dados e controlam a infraestrutura crítica. Além disso, ele argumenta que o acesso à inteligência artificial aprofunda ainda mais essa assimetria, já que são apenas algumas empresas que possuem o poder computacional necessário para fornecer esses serviços.
Outro ponto abordado por Hilse é o papel dos dados coletados em países em desenvolvimento, que são utilizados para construir perfis de usuários vendidos a anunciantes. A receita gerada acaba sendo registrada em paraísos fiscais, levantando questionamentos sobre privacidade e consentimento. Segundo o especialista, a noção de consentimento é ilusória, principalmente em mercados onde rejeitar os termos de uso de uma plataforma como WhatsApp não é uma escolha viável.
Hilse critica ainda iniciativas de segurança digital promovidas por entidades como a USAID e a OTAN, que, segundo ele, amplificam o controle sobre as nações beneficiadas e reforçam a hegemonia dos Estados Unidos em questões digitais. O especialista destaca que a verdadeira disputa neste contexto é geopolítica e não tecnológica, enfatizando que a arquitetura da Internet, dominada por poucas corporações americanas, perpetua um estado de dependência para muitos países ao redor do mundo.







