Especialista alerta que Gripen é insuficiente para a defesa aérea do Brasil e destaca a necessidade de diversificação e investimento em tecnologia militar

A recente fabricação do caça supersônico Gripen F-39E no Brasil, em uma colaboração com a empresa sueca Saab, representa um avanço significativo para a indústria de defesa nacional e a modernização da Força Aérea Brasileira (FAB). Contudo, especialistas alertam que a aquisição desse único modelo não é suficiente para atender a todas as demandas da segurança aérea do país.

Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), destaca que, além dos caças, é fundamental que o Brasil amplie seus investimentos em áreas críticas como a formação de pilotos, treinadores e operações com aeronaves de ataque, patrulha e reabastecimento de longo alcance. Para ele, o Gripen é um componente valioso para uma potência média como o Brasil, mas eficaz somente se acompanhado de uma estratégia diversificada que inclua parcerias com outros fornecedores internacionais, especialmente além do tradicional eixo Atlântico Norte.

As possibilidades de cooperação com países emergentes, como os integrantes do BRICS, que possuem indústrias aeroespaciais desenvolvidas, como Rússia e China, foram ressaltadas por Teixeira. Essa diversificação poderia impulsionar o domínio tecnológico do Brasil no setor, levando a um desenvolvimento autônomo de soluções militares.

A Embraer, instituição fundamental na produção do Gripen nacional, tem se destacado na fabricação de aeronaves militares e já exporta modelos como o A-29 Super Tucano, que inclui tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial. O professor acredita que a companhia pode, num futuro próximo, ampliar ainda mais seu desenvolvimento com tecnologias autônomas, contribuindo para uma autonomia brasileira na defesa aérea.

Além disso, a crescente importância de drones no contexto militar não pode ser ignorada. Modolo observa que a utilização de drones de combate e reconhecimento é essencial para a modernização das operações das Forças Armadas. Ele acredita que, com os equipamentos adequados, o Brasil poderia inovar nesse campo, formando um complemento necessário à frota de caças.

Num cenário internacional cada vez mais dinâmico e frequentemente instável, especialmente na América Latina, o fortalecimento da defesa aérea se tornou uma prioridade. As recentes posturas de potências como os Estados Unidos, que tratam a região como sua esfera de influência, aceleram essa necessidade. Assim, o Brasil deve se preparar para enfrentar os desafios de garantir sua segurança aeroespacial, tornando investimentos em defesa não apenas uma estratégia, mas uma sobrevivência.

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