Eliana Alves Cruz, aos 60 anos e com uma obra literária já consolidada, lançou seu primeiro romance, “Água de barrela”, que lhe rendeu o prêmio da Fundação Palmares em 2015. Desde então, sua carreira deslançou com títulos importantes, incluindo “O crime do Cais do Valongo”, uma narrativa que explora a história e a geografia do Rio através de um olhar ficcional. Seu mais recente trabalho, “Meridiana”, que aborda a ascensão social de uma família negra, a levou a ser reconhecida pela Academia Brasileira de Letras. Apesar de estar em concorrência acirrada, ela mantém uma visão humilde sobre seu trabalho, elogiando a qualidade dos livros que competem ao seu lado.
Por outro lado, a trajetória de Evandro Luiz, de 50 anos, é marcada pela exploração de temas que refletem a vida de personagens negros e periféricos. Com “Minha estranha loucura”, ele faz sua estreia solo e é finalista na categoria “Conto”. Seu livro se destaca por contar histórias autênticas, revelando as experiências de indivíduos que frequentemente são silenciados em narrativas mainstream. Evandro acredita que sua função como autor é dar voz e dignidade a essas histórias, mostrando a complexidade e a beleza da vida suburbana, longe dos estereótipos.
O Rio de Janeiro, cidade repleta de contrastes, é um elemento central na obra de ambos os escritores. Eliana, embora não delimite geograficamente suas narrativas, permite que a essência carioca permeie suas histórias, enquanto Evandro utiliza sua escrita para resgatar a vivência das comunidades periféricas. A literatura, para eles, não é apenas uma forma de contar histórias, mas um meio de expressar identidades e experiências que se entrelaçam com a cidade que os moldou.
Em suas entrevistas, ambos falam sobre suas infâncias e o impacto que a leitura teve em suas vidas. Eliana, influenciada pelo amor dos pais pelos livros, e Evandro, que encontrou refúgio entre as páginas durante sua adolescência conturbada. Essa paixão pela literatura se reflete em suas obras, que, além de entreter, buscam provocar reflexões sobre os desafios e as belezas da vida social no Brasil contemporâneo. Assim, Eliana e Evandro se posicionam não apenas como representantes da literatura negra, mas como vozes essenciais que trazem à luz a riqueza da cultura brasileira.




